quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

"Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, senhor Deus
se é loucura... se é verdade
tanto horror perante os céus!"
Castro Alves - Navio Negreiro

Este trecho da obra do jovem Castro Alves é para falar sobre as chuvas, os dramas, as mortes do Rio Grande e do Brasil. Quando estaremos mais preparados para conviver com a natureza?

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Dica de leitura


Como o inovador bisturi elétrico de seu pai, Juan José Millás descreve o ato de escrever: “cauteriza a ferida no mesmo momento em que a produz”. Essa frase já valeria a obra “O mundo”. Mais do que isso, obra autobiográfica e, simultaneamente, um ótimo romance. Confesso: comprei na Livraria da Vila, em São Paulo, por pura analogia. Como essa nova coleção de uma editora reúne ao mesmo tempo o centenário uruguaio Onetti e o jovem colombiano Mendoza (ambos excelentes) deduzi que esse também seria bom. Errei. Foi mais forte e melhor do que previ.

A árvore de chiclete


Não tinham muito dinheiro e eram muitos os filhos. Dia da criança. Naquela manhã ela acordou as crianças cedo com um café da manhã na rua. Depois, mostrou a árvore em que nasciam chicletes. Com alguns reais todos cresceram acreditando que o mundo real poderia ser feito com fantasia.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Lula e Boris Casoy: Brasil

Qual a relação entre o filme "Lula, o filho do Brasil" e fato que envolve o jornalista Boris Casoy, amplamente divulgado pela internet na semana que passou? Ouso responder: são duas faces de um mesmo Brasil.
Assisti ao filme que conta a vida do Presidente no primeiro dia do ano. É uma super produção. Esquisito que não o achei uma tentativa de endeusar a Lula. Por que? Porque mostra um homem comum, com uma história como a de milhares de brasileiros (que vão para os grandes centros atrás de melhores condições de vida, que assistem, quando crianças, aos pais agredirem fisicamente as mães, que se emocionam quando têm o primeiro emprego e choram diante da morte da mulher amada). Um homem que até uma idade razoável considerava o futebol mais importante do que a política e que quando ingressou no sindicato tinha como meta falar a língua de seus iguais e cuidar dos benefícios imediatos dos trabalhadores. Um homem filho de uma mulher forte (aliás, tirei meu chapéu para a Glória Pires no papel de Dona Lindú, mãe de Lula), apaixonado pela mãe. É um ótimo filme. Para conhecer a vida de um brasileiro. (Importante ressaltar que o filme acaba bem antes de Lula ser candidato a Presidente em 1989)
E qual a relação disso com o vazamento do áudio de Boris Casoy, no telejornal, ofendendo a um gari? Destilando preconceito contra um trabalhador? Me parece evidente: esse gari deve ter uma história muito parecida com a do Presidente. Ao ouvirmos os pensamentos de Boris Casoy, tivemos a oportunidade de desmascarar uma face perversa da elite brasileira: o preconceito, o asco que sentem com quem trabalha e constrói o Brasil de fato. Como li no twitter, certamente se este gari parar de limpar a sua rua sentiremos mais falta do que de Boris Casoy. O trabalho do gari faz sentido, mesmo que muitas vezes ninguém perceba.
Engraçado ouvir Boris Casoy pedindo desculpas. Nós não aceitamos! Porque preconceito não se desculpa, se combate. E nós combatemos quando criamos um final diferente para a vida daquele menino do filme: o elegemos Presidente e começamos, devagarinho, a mudar o Brasil.
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Esperei alguns dias para escrever do computador de casa, é esse o meu preferido. Sejam todos muito felizes em 2010, tenham todos muita paz e saúde porque o resto nós conquistamos juntos! Felicidade, amor, trabalho. E muita luta!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

2009: reencontros e descobertas

Quando essa época chega, muitos ficam aflitos. Sempre fiquei. É uma confusão de esperança (com o que virá) e impotência (com o que deixamos de fazer). É como se nos poucos dias que nos sobram no ano pudéssemos listar tudo o que não fizemos e organizar uma nova lista com tudo o que queremos concretizar. Acho que todos me entendem.
Pois bem, esse ano, para mim, chegou ao fim naturalmente. Não que eu não esteja fazendo planos para 2010. Estou sim! E são muitos! Mas posso ver, talvez pela primeira vez, que não fui atropelada por 2009. Tive um ótimo ano!
Os mais atentos podem me perguntar: ótimo? Nós sabemos que aconteceu isso, aquilo e aquilo outro. É verdade. Mas quase tudo me ensinou algo de bom. O ano começou pesado como talvez nenhum outro. Suas toneladas (com a doença de alguém muito querido) me abalaram, sensibilizaram, fizeram quase perder o rumo. Em alguns dias eu pensava: o que vai ser desse ano meu Deus! Se mal entrou e já fez tanto estrago... Mas no pior momento dele (sem parecer livro de auto-ajuda, gente...) redescobri o que de melhor tenho em minha volta. Descobri amigos por todos os cantos, descobri solidariedade em pessoas que estavam distantes, descobri carinho em quem mal me conhecia. Redescobri a alegria de ter com quem compartilhar momentos pesados, tristes. É realmente complexo explicar como os maus momentos nos tornam fortes na fragilidade. Quando eu estava frágil como uma folhinha seca, vieram amigos para me nutrir com esperança na vida. 2009 foi, nesse sentido, um ano ímpar. Por que reencontrei pessoas e talvez, em certo sentido, tenha reencontrado muito de mim nessas pessoas.
Foi também um ótimo ano em nosso mandato. Uma equipe redondinha, que tem um nível de amizade supreendente mas uma capacidade de trabalho ainda maior. Conseguimos girar o estado, organizar nossos debates, ajudar a construir soluções para problemas em Brasília e terminamos o ano com o trabalho dessa equipe reconhecido: ganhamos o prêmio de parlamentar que melhor representa a população na Câmara, pelo Congresso em foco. E estou destacando pessoalmente aqui. Politicamente fizemos a prestação de contas de três anos de trabalho (está no site http://www.manuela.org.br/). Mas enquanto ser humano posso garantir que a rotina do nosso trabalho é exaustiva. Para todos da equipe. Viajar dentro do estado e fora dele (não apenas as viagens semanais para Brasília. mas fomos para outros estados debater estágios, estatuto da juventude), ficar no plenário até duas da manhã, distribuir prestação de contas no final de semana... Tudo isso cansa. E só foi possível intensificar o trabalho, o rendimento porque temos um time que joga junto.
Por essas razões já teria motivos de sobra para afirmar que tive um ótimo 2009. Se ele foi todo bom? Evidente que não. Ele foi péssimo em muitos momentos. Mas foi um ano de descobertas e reecontros. Mas isso ainda é pouco perto de tudo o que vivi nesse ano. Tenho uma família cheia de defeitos e que é maravilhosa (agora com uma de minhas irmãs grávida e tudo...), tenho amigas e amigos sempre dispostos (para conversar, ajudar, brigar, me ouvir chorar, me fazer rir, para comer na Cidade Baixa....), ou seja, tenho amigos ótimos, temos uma equipe de trabalho leal e amiga, tenho um namorado que me aguenta (e eu aguento ele, vocês acham que é fácil namorar um deputado? hehehe) e que eu amo, milito em um partido cada vez mais forte e com uma militância convicta, estamos todos com saúde... Reclamar? Do que? Eu só posso agradecer às pessoas de carne e osso que estiveram ao meu lado esse ano. Só me resta dizer: obrigada.
Que venha 2010! Com eleições e tudo! Minha única promessa pessoal de virada de ano é que vou lutar para ser feliz como fui em 2009! E para ficar bem perto de todas as pessoas que amo.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Vitórias de Joãos

Acredito que aqui pelo blog é possível perceber minha paixão pelo nosso continente.
Num dos primeiros posts, ainda em 2008, escrevi sobre Juan, um jovem argentino que recuperou sua identidade aos 25 anos. Quem reler esse post (chama-se Yo soy Juan) entenderá minha alegria no dia de hoje ao ler a notícia que os "filhos" dos donos do jornal Clarín farão teste de DNA (se vocês buscarem na FSP ou no Estadão de hoje encontrarão as matérias).
Sintetizando: na cruel ditadura argentina muitas jovens grávidas (ou com filhos) foram presas. E essas crianças foram entregues aos "aliados" dos militares (ou militares mesmo) para serem criadas. Foram cerca de 500. Há muito tempo as chamadas "mães da praça de Maio" criaram um movimento chamado "avós da praça de maio" para tornar pública a situação e tentar encontrar seus netos. Uns 90 já foram encontrados. Os donos do Jornal Clarin (um dos maiores da Argentina) sempre foram suspeitos de terem criado duas dessas crianças. Esses dois (hoje jovens) nunca quiseram fazer o DNA (imaginem a confusão psicológica que é ser criado por quem ajudou a esconder a morte de teus pais). Agora há uma lei que os obriga. E hoje é o dia que eles farão o bendito exame.
Eu vejo que é possível fazer justiça com pais e mães desaparecidos. Com avós que esperaram décadas para verem em seus netos os rostos dos filhos que já se foram.O dia de hoje simboliza, em certa medida, que é possíel fazer justiça mesmo quando estamos enfrentado os mais poderosos, como são os donos do Clarín. Hoje é um dia de vitória dos Joãos e Marias da América Latina.


(O vídeo acima faz parte de uma série de TV chamada "TV por identidade". Retrata a criação do jovem Juan (que participou de um seminário do mandato este ano) pelo pai-sequestrador. A música é de Leon Gieco, em homenagem ao jovem.)

sábado, 26 de dezembro de 2009

O consultório

“Para, Maluela, o vô vai nos ver”. “Não vai não Fer, cala a boca, se a gente ficar atrás da cadeira ele nem vai saber que estivemos aqui.” Assim, passávamos as manhãs escondidos no consultório de dentista de meu avô. Ele obturando os dentes, os pacientes gemendo de dor e nós apenas nos concentrando para não sermos vistos. Recentemente, passados mais de vinte anos, perguntei a ele se alguma vez havia nos visto. Nenhuma. Talvez conseguíssemos mesmo ficar invisíveis.

Por onde andam as luzes de Natal?

Esses dias, andando de carro em Porto Alegre me perguntava onde andam as luzes da Natal que iluminavam nossas infâncias. Por onde andam as casas com as luzes (de tamanho de uma luz de casa, não essas pequeninas) que geravam disputas intermináveis entre os cinco irmãos pequenos sentados no carro? Lembro de muitos Natais, em que saímos de Estância Velha e íamos competindo quem mais contava casas com luzes de Natal até Canela, na casa de meus avós. Nunca ninguém ganhava porque brigávamos pelos números. Mas as casas com luzes estavam ali para serem contadas. Deviam ser mágicas, coisas de crianças: desapareceram todas.

Deixamos de ser crianças

Estávamos aflitos. Era a primeira vez que um ano virava para o zero. Era 89. Ficamos no pátio esperando a década de 90 entrar arrebentando nossos corações infantis que não imaginavam que mais que um ano redondinho estaríamos entrando na década em que deixamos de ser crianças. E lá se vão vinte anos.

O amanhã sempre chega

“Até amanhã, filhinha!” – gritava Seu Vinicius antes do seu carro partir ou do nosso carro partir. “Mas nós vamos nos ver amanhã, vô?”. Não, não íamos. Mas até hoje, que ficamos meses sem nos ver, ele se despede dizendo: “até amanhã, filhinha”, agora no ápice dos seus oitenta anos ele parece ter a certeza de que o amanhã sempre chega.

Assim era o Natal

Éramos sete numa Belina 79. Cinco crianças, dois adultos. Entre beliscões e brincadeiras de “Qual é a música” rumávamos de Pedro Osório à Jaguarão. Corríamos todos para a “frigider” da garagem. Ali repousavam uma centena de “rei Alberto”, doce típico da região sul do Rio Grande. Gelatina vermelha com abacaxi picadinho, ameixa amassada, creme de gelatina, ovos moles e sei lá mais o que. Tudo feito à mão pela Dona Solange, minha avó. Também nos aguardava uma bela ambrosia de forno (doce único), um bolinho 1, 2, 3 (uma xícara de leite, duas de açúcar, três de farinha ou qualquer coisa nesta proporção). Um belo pastelão de forno de guisado e uma lingüiça caseira. Passávamos dois dias dormindo no chão, no sótão, tomando banho na Lagoa no Uruguai, andando no Del Rey 84 (bem mais moderno do que a Belinosa). Também havia parte de tentar acordar a Tia, que sempre dormia mais do que as crianças. Depois, somavam-se as incontáveis e intermináveis visitas. Elas iam até o momento em que fechávamos a primeira porta da rua. Eram duas as portas da casa. A primeira era a que simbolizava que estavam dispostos a receber visitas. No dia 24, Seu Vinicius assistia à Missa do Galo. No dia 25 Dona Solange se arrenegava porque nunca entendia como era possível que cem “reis Albertos” fossem comidos. Mas todos os anos eram comidos os cem. Era assim. Tudo simples. Tudo perfeito. Sem grandes trocas de presentes. Aliás, nem me recordo de haver trocas de presentes. Mas eram assim os Natais familiares no início da década de 90 quando éramos sete. Todos crianças, todos morando junto, todos felizes.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Dica de leitura


Estou lendo vários livros ao mesmo tempo. Acabo de terminar "Quando fui mortal", do grande espanhol Javier Marias. São nove contos. Todos deliciosos de ler. Não são leves como não é leve "Amanhã, na batalha, pensa em mim", do mesmo autor. Mas vale a dica.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Boas festas

É certo que eu ainda vou aparecer por aqui até o final do ano. Quero escrever sobre esse ano bem importante no mandato e na minha vida. Mas por hoje, deixo a nossa mensagem, da nossa equipe para todos vocês. Como aprendi com um velho amigo: saúde e paz.

Prestação de contas

Gente, aqui vai o link para o que apresentamos no domingo, na plenária.

http://www.manuela.org.br/prestacao-contas/

domingo, 20 de dezembro de 2009

Foi um ótimo final de semana

Quando decidimos fazer o seminário e a plenária do mandato neste final de semana (em função de várias agendas nos anteriores) eu tive medo que não desse certo. Este é, afinal, o último fim de semana útil do ano. Todos já estamos esgotados e sem muita disposição e o calor em Porto Alegre sabe ser insuportável como poucas coisas no mundo. Mas eu estava errada.
Tivemos um ótimo seminário do mandato. Anualmente relizamos dois encontros de toda a equipe do mandato. Um para analisar e pensar o ano, outro para vermos o próximo em perspectiva. Este ano criamos um terceiro mandato: apresentamos para pessoas que não são da equipe a avaliação e as metas.
Foi um sucesso. Já devemos colocar no site este resumo, distribuímos em forma de DVD. Se alguém quiser, prenda o grito. Ou deixe o endereço
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P.S. Esta postagem foi escrita ontem. E não sei o porquê mas ficou armazenada. Hoje tive um dia agitado e curto. Vou trabalhar até quinta, como a maioria de vocês. Beijos.