Acho a pior coisa que podemos sentir. Sou tomada por esse sentimento (é um sentimento???) poucas vezes. Fico nauseada quando minha indignação é tão grande que vira raiva, incapacidade, nojo... Eu já estava indignada quando soube que meus companheiros e companheiras do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias haviam sido presos durante manifestação pacífica na frente da Empresa Randon. Fui militante do movimento social e a situação de permanente criminalização dos mesmos aqui no RS, no governo Yeda, é revoltante. Entretanto, após falar com o meu camarada Assis Melo, presidente do Sindicato e vereador do PCdoB, fiquei nauseada. Os relatos do que foram submetidos, os nomes de amigos, como o Sálvio e o Seu Alcebiades, a forma como a Brigada Militar agiu, defendendo os interesses da empresa e não de manter a ordem para a população me indignaram ainda mais, me deram nojo. Soma-se a minha indignação o fato de ter ouvido a voz de um querido amigo no telefone e ver que um pai de família, de origem pobre, índio, eleito o parlamentar com maior número de votos da história da Serra gaúcha justamente por ser incansável na defesa dos trabalhadores e perceber o que ele passou. Eu tenho nojo de injustiça. Eu tenho nojo da violência. Eu tenho nojo, aquilo que de pior eu posso sentir, pelo que aconteceu em Caxias do Sul hoje.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Uau!
Conheço essa moça desde que ela começou a militar ou que nos encontramos na militância. Ela no partido dela, eu no meu. Ela na cidade dela, eu na minha. mas nos tornamos amigas. Amigas dessas de verdade... dessas que a gente chora, a gente ri, conta história... Ela, inclusive, morou comigo uns meses quando decidiu sair de Sampa e levar a vida mais feliz de Porto Alegre. Belo texto amiga. Saudade.
Quando negar o preconceito vira o ato mais preconceituoso
(www.terribili.blogspot.com)
Milito há modestos 12 anos. E desde o começo, continua me intrigando a necessidade que algumas pessoas têm – militantes, às vezes – de negar a existência de preconceito e discriminação. Intriga-me e incomoda um bocado.
Normalmente, são homens, brancos, heterossexuais, de classe média. Do alto de seu pertencimento ao padrão “acima de qualquer suspeita”, vêm esses arvorar-se o direito de, da arquibancada, analisar e julgar o que pode e o que não pode ser considerado um ato de preconceito, ou uma expressão da dominação que se estabelece sim entre homens e mulheres, entre negros(as) e brancos(as). Simplesmente abominável.
Abominável porque também isso é preconceito. “Ah, não exagera, vai”; ou “Você está nervosa, por isso está amplificando as coisas”; no mínimo – isso pra não chegar num “Não seja histérica, xiita, ou coisa que o valha” – é corroborar e legitimar a opressão. Porque quem não sofre o preconceito na pele não deve desqualificá-lo classificando-o como “exagero” ou “histeria”. Isso é julgar que a pessoa que sofreu o preconceito é “fraca” e se fosse “forte” encararia a situação com tranquilidade. Ou seja: além de ser uma pessoa de segunda categoria – porque é isso que o preconceito afirma –, ainda é desequilibrada(o).
Discriminação, preconceito, opressão, discriminação não devem ser tratados com tranquilidade ou naturalidade. Muito menos com imparcialidade! Desequilíbrio não é reconhecer e se queixar. Desequilíbrio é não se indignar com o mundo desequilibrado – uns valem mais que outros.
Ou então, quem nega tão veemente as expressões do machismo ou do racismo que há por aí, pode ser porque se enxerga na reprodução desses valores de desigualdade... sim, porque não pensem que os homens, os brancos não se beneficiam da opressão das mulheres e dos negros. Beneficiam-se sim, e, muitas vezes, é difícil abrir mão da posição de “alto da pirâmide”...
Por isso, espero que as mulheres, os negros e as negras, os(as) homossexuais, e todos os que são historicamente excluídos, marginalizados, não se envergonhem de apontar o preconceito e queixar-se sim. Não para as paredes: Pro autor. Pra Justiça. Pro mundo ouvir.
Por que este ataque histérico?
Duas situações motivaram-me esta breve reflexão. Pedro Bial – sempre ele –, ao dirigir-se ao único negro selecionado para o lastimável BBB indagou: “Racismo é acusação grave, você acha mesmo que sofreu preconceito?”. As palavras não foram exatamente essas. Mas após uma série de “indicações”, por parte do participante eliminado, de que era, ali dentro, tratado com desigualdade, o tom do apresentador foi de “está exagerando, está se autovitimizando”, e, no limite, um julgamento de que aquela seria uma forma de autopromoção. Um nojo.
Outra. No blog da deputada federal Manuela D’Ávila, quando ela fala do machismo embutido na “análise” de FHC acerca da candidatura de Dilma Rousseff, comentários de leitores marcam a posição de que “não, não é preconceito, veja bem, é política”.
A política mal-feita apropria-se sim do machismo para desqualificar uma candidata mulher. É sutil, às vezes, mas espera-se que quem tem antena ligada perceba com mais facilidade e menos máscara. Não precisa ser tão atento assim pra perceber que o tratamento dispensado a Dilma é diferente do dispensado a Serra. Não por política. Não só por manutenção ou não do projeto representado por Lula. Mas porque, às mulheres, é dispensada uma forma particular de desqualificação. E isso é SIM machismo. Ofendam-se ou não.
Já viram “O Diabo Veste Prada”? A garota diz: “Dizem que ela é um monstro; mas se fosse um homem, diriam que ele só está cumprindo seu papel”.
Daí vem o discurso... “estão se autovitimizando”... “estão, de maneira oportunista, aproveitando-se da situação”. Como se as pessoas gostassem de se “autovitimizar”! Como se fosse agradável, confortável, ser vítima! Como se o natural fosse exatamente aceitar o papel de vítima que séculos de exploração sustentam! Dirão: sim, afinal, as vítimas conquistam a misericórdia das pessoas...
Nós não queremos misericórdia. Queremos igualdade. Nem mais, nem menos.
Panetonegate
Com Arruda preso (ao menos pelas próximas horas) muitos temos a sensação de que o deboche tem limite, de que tudo tem limite, de que é possível um pouco de justiça num sistema político tão marcado por contradições e limites.
Vou falar a verdade...
Estou trabalhando, fechando coisas do mandato mas já estou com o pé na avenida. Há muitos anos desfilo na Imperatriz Dona Leopoldina, minha escola do coração da Zona Norte de Porto Alegre. Aprendi a respeitar o samba, o carnaval e amo. Então... Até sábado pela noite, minhas mãos digitam, meu cérebro organiza, mas meu coração já está no Porto Seco.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Machismo?
Convivo com inúmeras manifestações de machismo no cotidiano. Bem sei que não apenas eu, todas as mulheres do nosso país. Talvez até aquele que nós, mulheres públicas, sofremos seja mais escondido, camuflado. Mas nos momentos de tensão ele aparece. Sobretudo nos momentos de decisões importantes. Na campanha para a prefeitura de Porto Alegre todas vimos isso de perto.
Digo isso porque fui provocada por um amigo para pensar no teor da frase de Fernando Henrique Cardoso (aquele que escreveu e mandou esquecer, aquele que fez e os outros tucanos tentam apagar), quando ele diz que Lula é um líder, Serra é um líder, ele é um líder e Dilma não o é. FH foi presidente, Lula é. Serra foi ministro de FHC. Dilma é ministra de Lula. O que os diferencia além da política? Um defende o estado mínimo, a outra defende o Estado com papel no desenvolvimento. Ora, pergunto de novo, para além da política, das ideais, da trajetória, o que os diferencia?
Para FHC parece ser o fato de Dilma ser mulher.
Para mim são os projetos absolutamente distintos para o nosso Brasil.
Clarice Lispector
Ando, mesmo aqui em Brasília, apaixonada por ela.
"pelo tempo que eu quisesse' é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer (...)
"pelo tempo que eu quisesse' é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer (...)
Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim"
(conto Felicidade Clandestina, livro de mesmo nome)
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Energia
Sempre que preciso recorro a vocês para me ajudarem em grandes batalhas pela saúde dos que amo. Minha equipe de trabalho é das coisas mais importantes para meu trabalho e meu cotidiano. Principalmente porque somos muito amigos. O Gustavo (meu jornalista querido) foi atropelado. Está melhor, mas hospitalizado e passará por diversas cirurgias. O ajudem com a energia positiva. Ela move montanhas.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Cecília Meireles
"Tenho fases, como a Lua; fases de ser sozinha, fases de ser só sua."
"Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira."
"Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira."
se...
Se a vida vier de novo, como diria um grande filósofo a quem me referi no primeiro post deste blog, eu quero ajustar algumas coisinhas.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Lula
Lula veio ao Estado e passei quase o dia em agendas com ele. O que posso dizer? As agendas foram ótimas. Mas estivemos num forno o tempo inteiro. O calor por aqui faz a água sair quente das torneiras.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Beatriz
Olha,
Será que ela é moça?
Será que ela é triste?
Será que é o contrário?
Será que é pintura o rosto da atriz?
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha,
Será que é de louça?
Será que é de éter?
Será que é loucura?
Será que é cenário a casa da atriz?
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva para sempre Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ah, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha,
Será que é uma estrela?
Será que é mentira?
Será que é comédia?
Será que é divina a vida da atriz?
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida. . .
(Chico Buarque e Edu Lobo)
Será que ela é moça?
Será que ela é triste?
Será que é o contrário?
Será que é pintura o rosto da atriz?
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha,
Será que é de louça?
Será que é de éter?
Será que é loucura?
Será que é cenário a casa da atriz?
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva para sempre Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ah, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha,
Será que é uma estrela?
Será que é mentira?
Será que é comédia?
Será que é divina a vida da atriz?
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida. . .
(Chico Buarque e Edu Lobo)
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Em Brasília
Estou em Brasília. Voltando para a vida 100% real. A realidade é sempre desafiadora. Ainda bem.
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