sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Comissão da Verdade


Essa semana vivi um momento histórico e que me emocionou muito: a instalação da Comissão da Verdade. Primeiro, pela a emoção da presidenta Dilma, que enfrentou a ditadura, sofreu a violência da época e jamais desistiu da luta pela democracia. Ela emocionou todos nós com seu discurso: mesclou o resgate histórico muito rico com a emoção de quem sobreviveu e hoje ocupa o posto mais importante do país.

Segundo, porque Dilma reconheceu o papel de cada ex-presidente da nossa recente democracia no caminho daquele dia. Ao lado de todos os ex-presidentes vivos, ela destacou os passos de cada um no rumo da consolidação da Comissão. O nosso encontro com a verdade é fruto do trabalho de cada um deles e Dilma demonstrou sua generosidade ao reconhecer isso publicamente.

Terceiro, porque fiquei orgulhosa por fazer parte da Legislatura que ajudou a tornar a Comissão uma realidade e por ter a certeza de estamos caminhando sob a luz da verdade e da transparência.

Alguns perguntam se a Comissão terá resultados ou, ainda, se é revanchismo. Eu acredito que ao permitir o encontro do brasileiro com sua história, estaremos livres de repetir os erros do passado. Acredito, também, que negar ao povo brasileiro o direito de conhecer sua história é compactuar com a injustiça. Mais, os principais objetivos da Comissão são esclarecer casos de graves violações de direitos humanos, em especial os episódios de torturas, mortes, desaparecimentos e a autoria desses crimes, em especial nos anos de chumbo.

A Comissão é, também, o primeiro passo para que seja feita justiça a Vladimir Herzog, Frederico Eduardo Mayr, Rubens Paiva, Osvaldo Costa, aos guerrilheiros do Araguaia e aos milhares de brasileiros anônimos que foram torturados e deram suas vidas lutando pela democracia.

Como disse a presidenta, lembrando Ulisses Guimarães, “a verdade não desaparece quando é eliminada a opinião dos que divergem. A verdade não mereceria este nome se morresse quando censurada”. Que saibamos valorizar esse dia, pois verdade e transparência são parte significativa da consolidação do Estado Democrático.

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Fiquei muito feliz, também, por ter reencontrado o presidente Lula, por poder abraçá-lo e ver que está mais forte. Lula nos mostrou que era possível mudar e deu aos brasileiros a autoestima que precisávamos para mudar o curso da nossa história.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

“Já pesei 100 kg. É claro que o ‘musa do Congresso’ me ofende”


Entrevista da revista Marie Claire comigo, por Letícia González

A deputada Manuela D’Ávila, 30 anos, tinha 22 quando foi eleita vereadora pela primeira vez. Hoje no segundo mandato como deputada federal, ela é pré-candidata a prefeita de Porto Alegre e, caso siga à frente nas pesquisas, será a primeira mulher a assumir o cargo na capital gaúcha – além de a mais jovem.  Conversamos com Manuela sobre sua história, política e machismo.

Marie Claire – Em entrevista à Marie Claire, a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet disse que as roupas de uma política chamam  mais a atenção do que o que ela fala. Concorda?
Manuela D’Ávila –Totalmente. Nos ambientes de destaque a mulher é muito valorada pelo que ela é fisicamente. Eu me elegi deputada federal com 25 anos e era a única parlamentar jovem a não ter o sobrenome de uma família tradicional na política brasileira. Mas, ao invés desse fato chamar atenção, [fui chamada de] “musa do Congresso”.

MC – O apelido de “musa do Congresso” a incomodou?
MA –O que as pessoas não sabem é que até os meus 17 anos eu fui gorda. Pesei 100 kg. Então aprendi desde cedo que o que está por fora não vale nada e ninguém vai me convencer que eu consigo alguma coisa porque sou bonita ou deixo de conseguir porque sou feia. O “musa do Congresso” era dito de maneira totalmente pejorativa e me incomodou, sim. Tanto quanto me chateava ser chamada de elefoa na escola.

MC – Como emagreceu?
MA – Copiei a dieta de reeducação alimentar da minha irmã e segui. É muito difícil comer menos, mas é a única maneira de fazer isso. Acho um absurdo mulheres saudáveis que precisam perder 40 kg, como eu precisava, optarem por cirurgia bariátrica. É muita irresponsabilidade.

MC – Já deixou a vaidade de lado para se provar séria?
MA – Com 22 anos a gente pensa em morrer pela causa. Depois entende que precisa estar vivo para a causa ser realizada.

MC – O que possibilidade de ser a primeira mulher a assumir a prefeitura de Porto Alegre significa para você?
MA – Na sociedade, as mulheres são empresárias, ocupam cargos de chefia, chegaram a todos os postos. Mas na política ainda não. Sou deputada num congresso que tem 513 deputados e só 42 são mulheres. É um ambiente muito machista e fechado. Na semana passada, um jornalista conhecido disse na rádio que eu deveria ter “algum outro atributo” além da minha capacidade política para seduzir os parlamentares do jeito que eu seduzia. Sabe quantas vezes tive de respirar para não ligar para esse senhor e perguntar exatamente o que ele estava sugerindo? Eu ainda me surpreendo.

MC – O desafio de assumir a prefeitura assusta?
MA – Não. Gosto muito da frase [da escritora Clarice Lispector]: “tenho medos bobos e coragens absurdas”. Eu deixo o meu medo para barata.

MC – Qual é o maior problema feminino hoje? Como uma mulher no poder pode enfrentá-lo?
MA – A violência é o maior deles, em Porto Alegre ou no Afeganistão. No poder, as mulheres têm o sonho do projeto e a sintonia com a vida real.

MC – Qual  foi a maior dificuldade de ser eleita tão jovem?
MA – Ficar longe das minhas pessoas quando fui para Brasília. Percebi que não ia ter ninguém para conversar quando chegasse em casa, se ficasse doente ou se quisesse dividir minhas angústias. Telefone não é vida real.

MC – Como sua família reagiu quando você concorreu pela primeira vez?
MA – A minha mãe torcia para que eu fizesse uns 130 votos, o número de amigos que ela calculava que eu tinha. Na primeira campanha, a única faixa com o meu nome foi presente da minha mãe. Me elegi vereadora com 9,5 mil votos.

MC – Sonhava em ser política quando era pequena?
MA – Não, sonhava em veterinária. Depois, queria ser professora.

MC – E em casar e ter filhos?
MA – Sempre sonhei em ter filhos, mas nunca em casar na igreja. Mas vou casar na igreja! Meu namorado (o chefe de gabinete da secretaria de turismo do Rio Grande do Sul e professor de ioga Rodrigo Maroni) me convenceu. Se eu não fosse candidata, nos casaríamos ainda em 2012. Mas agora vai depender do resultado da eleição. Se eu for eleita, adiaremos novamente.

MC – Qual é o seu momento mais mulherzinha?
MA – Me maquiar 100% no carro. Faço isso todos os dias.

MC – Você é filiada ao PCdoB desde o início da sua carreira. Acha que o comunismo funciona?
MA – Acredito no que eu entendo por comunismo, que é a crença de que a sociedade pode ser justa. Se me perguntares se ele já funcionou alguma vez, não preciso nem responder. É não.

MC – Desde 2011, você é vice-líder do governo no Congresso e tem uma postura de apoio amplo. Falta autocrítica?
MA – Consigo diferenciar muito o projeto que eu defendo de pessoas que erram. A presidente Dilma tem um norte, ela segue um projeto, e as pessoas não são maiores do que ele. Os episódios de corrupção têm de ser radicalmente apurados, mas não devem parar o país. Eu tenho críticas, sim. Faço uma crítica permanente há mais de dois anos à ministra da cultura (Ana de Hollanda). Ela tem uma visão de cultura de um tempo que já passou, é elitista.

MC – Como vê a legalização do aborto?
MA – Primeiro de tudo, acho uma grande infelicidade que no Brasil isso seja tratado como um assunto das mulheres. Porque não é. É tema de saúde pública. Tivemos um grande avanço há quinze dias quando foi reconhecido o direito de vida das mulheres (em 12 de abril, o STF decidiu que não é mais crime o aborto de fetos anencéfalos no Brasil). Eu tenho a posição de todas as mulheres do Brasil: ninguém quer fazer um aborto. Mas se ele tem que ser feito, como no caso dos anencéfalos, que ele seja feito com dignidade.

MC – E no caso de ser uma vontade da mulher?
MA – Acho que o Brasil tem que discutir isso. Defendo que as pessoas têm o direito de viver com dignidade e fazer as suas escolhas, mas acho que o Brasil precisa ainda debater muito isso.

As mulheres da minha família

sábado, 12 de maio de 2012

Feliz dia das mães

Minha mãe me ensinou a acreditar no amor e na força que ele tem. Minha mãe me ensinou a ver que as pessoas, todas elas, são cheias de virtudes e cheias de defeitos. Foi ela tambem que me ensinou a tolerância e a flexibilidade são as marcas dos fortes de caráter. Os fracos gritam. Os fortes escutam. Minha mãe me ensinou que a vida pode ser reinventada pois ela o fez!
Ela me ensinou que pessoas se comunicam com os olhos. Mas ela consegue ir além: sentir como estamos - nós, os 5 filhos - do outro lado do mundo. Sei lá se é intuição, premonição ou qualquer outro "ão" o nome disso. Sei que existe e que ela tem.
Existe uma única pessoa no mundo que sempre sabe como estou. Sem twitter, email, telefone, olhares ou sinal de fumaça. Minha mãe. Talvez isso aconteça pelo sinal idêntico que temos no peito. Não sei. Sei apenas que a amo muito.
A todas as mulheres que se comunicam de maneira magica com os seus filhos, a todas as mães, saúde e paz.

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Não me lembro de um dia sequer de minha vida adulta em que eu tivesse dúvidas sobre ter filhos. Sempre os desejei. Ocorre que a vida nem sempre nos permite ter tudo e eu abri mão, até hoje, para me dedicar a tentar melhorar primeiro minha cidade (fui vereadora) e depois o país. Talvez muito motivada pela idéia de melhorar, transformar o mundo que meus filhos viverão.
Fato é que esse domingo ainda não é meu dia. Espero que seja um dos últimos...

sábado, 5 de maio de 2012

A saudade mata a gente morena

Uma das maravilhas da vida é ter lindas lembranças. Lembro perfeitamente a imagem de minha avó cantando: "fiz meu rancho na beira do rio, meu amor foi comigo morar e nas noites na beira do rio, meu bem me abraçava pra me agasalhar... A saudade mata a gente, morena....". Essa música alegrou muitos natais, viradas de ano, muitas separações em viagens e despedidas entre nós. Quando ela morreu, naquele dia, a música fez um sentido danado. Durante 26 anos foi motivo de riso a dor da saudade cantada. E eu a senti apenas quando ela morreu.
Hoje, ao entrar no Asilo padre cacique, encontrei o coral cantando essa música. Não a ouvia há anos. Os olhos encheram de lagrimas de saudade. De lembranças. A saudade não mata. A saudade do que é lindo faz a vida doer um pouco, mas ser mais bela.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Qual a pergunta certa?


Queridos leitores,
É natural que em momentos de disputas eleitorais existam tensões entre partidos e candidaturas. Entretanto, em minha avaliação, esses tensionamentos devem ser reais.
Tenho visto de maneira sistemática alguns militantes de outra candidatura questionarem minha postura, minhas alianças. Acredito que esse não seja o melhor caminho. E não o é por que julgo que as verdadeiras questões a serem respondidas não residem no esforço que meu partido faz para ampliar a sustenção de minha candidatura. Até porque o esforço que fazemos tem base num programa de governo sólido e buscamos a base de Dilma e Lula. Buscamos a bAse do querido Jairo Jorge em Canoas. Buscamos e tenham certeza NADA temos a ofertar que não programa. Não temos cargo nenhum. A pergunta que deve ser respondida é, em minha Opinião, a que fiz em 5/12/11 aqui no blog. Questionam minha aliança? Ok. Respondam então aos seus e meus e nossos a pergunta abaixo. E lembro, caros companheiros, não criem distâncias irreais entre nós. Não repitam 2008. Lembrem quem em 2010 superou 2008 e construiu a unidade que nos levou a sonhada vitória. Somos juntos Dilma e Tarso. Faço um convite a vocês: vamos discutir nossa cidade?

Abaixo reproduzo artigo de dezembro/2011

Qual a diferença entre 2010 e 2012?

O ano de 2011 vai chegando ao fim. Deixará para o próximo algumas reflexões sobre o processo político em nossa capital e em nosso Estado.

Na política, esse é um ano prensado entre outros dois: 2010 (ano em que uma frente política de unidade da esquerda, com discurso amplo venceu as eleições para Estado) e 2012 (ano em que essa frente será testada em sua capacidade de manter-se unida).

Eleições são espaço de apresentação de projeto, programa e posicionamento político.

O que justifica a existência de uma candidatura de oposição é o projeto, o posicionamento, a visão de que a administração tem limites. Ou seja, é uma visão crítica. Alguns fazem e recebem críticas como se fossem "intocáveis".

As críticas - quando de natureza política, e não pessoais - justificam os diferentes projetos. Se não por isso, qual a razão da existência de uma candidatura? "Protagonismo" do partido e/ou pragmatismo.

Se o projeto político é consistente, ele deve ser maior que esses dois aspectos.

Em 2008, apesar de termos o mesmo diagnóstico sobre a administração Fogaça/Fortunati, não conseguimos unificar nosso posicionamento político, nem o projeto para a cidade.

Já em 2010, a história foi diferente: PCdoB e PSB retiraram uma candidatura viável ao governo do RS, por achar que poderíamos construir um novo ciclo para o Estado com a candidatura de Tarso Genro.

Nossos partidos não tiveram, é evidente, o mesmo protagonismo do PT. Mas vencemos a eleição, pois superamos tudo o que julgávamos MENOR do que a necessidade de retomar o desenvolvimento do Estado, aproveitando o bom momento do Brasil.

O que mudou entre 2010 e 2012? Essa é a questão a ser respondida pelos partidos que elegeram Tarso.

O projeto? Seguimos acreditando na unidade da esquerda, ampliando para todos que se identifiquem com um programa que supera limites da atual administração? O programa ou posicionamento político?

Não temos unidade na avaliação dos limites da atual gestão? Não temos clareza que, independente do partido do atual prefeito, há um projeto, em curso em Porto Alegre, conflitante com o nosso?

Se as premissas são essas, o que nos distancia são as menores questões. Ou não?

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Lembro que anticomunismo também é manifestação ideológica

Entrevista que me emocionou

Essa entrevista me deixou muito emocionada.

Ela foi militante política nos anos 70, presa, torturada e teve o pai assassinado por um militar. Anos depois, tornou-se ministra da Defesa e presidenta do Chile. Hoje, defende os direitos das mulheres na Organização das Nações Unidas e sabe, de perto, como é enfrentar preconceitos

Por Marina Caruso. Foto: Nancy Coste (corbis)

Na psicologia, a capacidade de superar traumas e sair fortalecido deles chama-se resiliência. A palavra, também usada para definir o potencial de um objeto de retomar sua forma depois de uma deformação, encaixa-se bem à ex-presidenta do Chile, Michelle Bachelet, 61 anos. Atual diretora-executiva da ONU Mulheres — braço das Nações Unidas criado para combater a violência e a desigualdade de gênero — Michelle expandiu os limites da resiliência. Tranformou os próprios traumas em algo melhor para si e para os outros. Depois de ser presa e ter o pai, o brigadeiro Alberto Bachelet, assassinado durante a ditadura, formou-se em medicina e pós-graduou-se nas Forças Armadas e na Academia de Políticas Estratégicas do Chile. “Precisava disso para entender a ditadura que levou à morte 40 mil chilenos”, diz. Mãe de três filhos (Sebástian, 33, Francisca, 28, e Sofia, 19) e separada duas vezes (uma do arquiteto Jorge Dávalos e outra do epidemiologista Aníbal Henriquez), Michelle foi a primeira mulher a ocupar o Ministério da Defesa e, depois, a Presidência da República em um país onde até pouco tempo atrás nem o divórcio era permitido.

De passagem pelo Brasil para a Terceira Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, ela conversou com Marie Claire em diferentes momentos: no Palácio do Planalto, em Brasília, no morro do Cantagalo, no Rio, e no hotel em que esteve hospedada. Em todos eles — abraçando uma líder comunitária ou cumprimentando com beijinhos a presidenta Dilma — sorriu com gentileza. Prova de que é perfeitamente possível ser firme “sin perder la ternura”.

MARIE CLAIRE A senhora e a presidenta Dilma têm histórias parecidas: foram militantes políticas, presas, torturadas e ministras. No que são diferentes?
MB Identifico mais semelhanças do que diferenças. Como eu, Dilma é uma mulher de resultados. Une a capacidade de sonhar alto ao pragmatismo que, para os gregos nada mais era do que a capacidade de realizar sonhos. Temos ideais, mas queremos ações que melhorem a vida das pessoas. Por mais parecidas que sejam, as pessoas têm sempre algo que as diferencia. Eu não sei dançar samba, por exemplo, já ela (risos)...

MC Quais são os maiores problemas femininos no mundo e como ter uma mulher na presidência favorece enfrentá-los?
MB Os maiores problemas são os abusos sexuais, a violência doméstica, a baixa participação política e a falta de autonomia financeira. Há apenas 20 chefas de Estado entre os 194 países da ONU. Mas isso está mudando. Na América Latina já temos três presidentas e duas primeiras-ministras. O Brasil criou a lei Maria da Penha — uma das maiores conquistas femininas do último século — e hoje tem nove ministras, ou seja, 27% dos cargos. No mundo, isso não passa de 19%. Aqui ocupamos pastas importantes como Planejamento (Miriam Belchior), a Articulação Política (Ideli Salvatti) e a Casa Civil (Gleisi Hoffmann).

MC Uma menina de 14 anos foi abusada por um soldado brasileiro da tropa de paz da ONU no Haiti. O que a ONU Mulheres faz contra isso?
MB O (secretário geral das Nações Unidas) Ban ki-Moon já disse ter tolerância zero com esse comportamento. E tem que ter mesmo. Agora, acho uma pena que a imprensa dê mais destaque a esse tipo de assunto do que às coisas boas que as missões de paz têm feito.

MC Temos de cobrar respostas...
MB Até por causa disso (dos abusos) acho que é tão importante a presença feminina nas tropas de paz. Quanto mais mulheres nas missões, menos abusos. Mas o problema da violência de gênero é muito maior: 80% das vítimas de tráfico são mulheres. E, ainda hoje, morre uma mulher por minuto, no mundo, em decorrência de complicações na hora do parto ou de abortos clandestinos.

MC No Chile, um de seus grandes feitos foi a lei 20.348, que estimulava empresas a pagarem salários iguais para homens e mulheres com a mesma função. No Brasil, a diferença ainda é de 35%. Como podemos mudar isso?
MB Para implantar leis como essa, é preciso olhar a constituição do país. Não se pode chegar e dizer “agora todo mundo é obrigado a pagar salários iguais para homens e mulheres”. Quando assumi o governo, queria uma lei que obrigasse as empresas a fazerem isso, mas seria inconstitucional . Então, criei uma lei que bonificava quem o fizesse. O hiato diminuiu bem (de 40% para 15%, segundo os analistas).

MC Hillary Clinton disse que, por ser mulher, prestam mais atenção na sua roupa e no seu penteado do que nos discursos que faz. A senhora já sentiu isso?
MB Claro! E de todas maneiras imagináveis, desde que era candidata. Nas prévias, a oposição dizia que era a disputa da morena elegante (a senadora Soledad Alvear)com a loira gordinha. Queriam me diminuir afirmando que eu tinha o apoio do povo porque era simpática, não competente. Se me emocionasse fazendo um discurso e ficasse com olhos cheios d’água, era porque eu era histérica, não sabia controlar as emoções. Já meu antecessor, era um “homem muito sensível”. Eu sempre a era a gorda malvestida. E os homens mais cheinhos, eram os fortes, poderosos. Quando entrei para o governo, uma das coisas que mais me impressionou foi um artigo de uma revista feminina dizendo: “Inacreditável: a presidenta do Chile usou o mesmo vestido duas vezes na mesma semana”. Me chocou profundamente. Como jornalistas mulheres não são solidárias? Você acha que eu tinha tempo para pensar se tinha ou não usado aquela roupa na semana? Estava tentando mudar um país!

MC Houve momentos em que a senhora sentiu a clássica culpa feminina por estar longe da família?
MB A clássica culpa feminina? (irônica) Nunca a conheci (gargalhando). É claro que sim! No entanto, uma vez, quando era presidenta, disse isso em uma entrevista e o título virou. “A presidenta sente culpa”. Tomo cuidado para isso não acontecer de novo... mas, para sua revista posso dizer que tenho os mesmos sentimentos de culpa de qualquer mãe que se mata para encontrar equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho. Fui ministra por seis anos, candidata por um e presidenta por quatro. Dou aos meus filhos todo direito de reclamar. Mas eles me apoiam muito. Quando o presidente Ricardo Lagos me convidou para ser ministra, pediu que eu fosse até o seu apartamento para conversarmos. Eu estava com um problema no braço e pedi ao meu filho que me levasse. No caminho, disse: “Olha, é possível que me ofereçam um cargo importante, mas fique tranquilo porque os ministros da Saúde nunca duram mais que dois ou três anos no poder” (risos). Mal sabíamos nós que depois viriam o Ministério da Defesa e a Presidência. Mas ele e as meninas sempre me deram força. Até nessa vinda para Nova York (onde fica a sede da ONU Mulheres) disseram “Adiante, mamãe, adiante”. Ainda que com o peito apertado, sei que sentem orgulho de mim. Orgulho e saudade, essa palavra maravilhosa que a língua portuguesa criou para designar o vazio que é “sentir falta”.

MC O que, na sua história de vida, a senhora diria que mais contribuiu para a formação de sua personalidade?
MB Uma família extraordinária, com um pai militar muito carinhoso, que acreditava na força das mulheres e sabia que o casamento não era o único futuro possível para elas. Isso, com muito amor e uma educação de princípios e disciplina, forma uma pessoa bem estruturada. Na minha mamadeira, junto do leite, vinha a palavra responsabilidade (risos). Sempre fui muito responsável e isso tem a ver com o ambiente em que cresci.

MC Pais militares tendem a ser mais duros, mas a senhora se refere ao seu como carinhoso. Como ele reagia às suas artes de criança?
MB Meu pais nunca me bateram. Nunca levantaram a mão para mim ou para o meu irmão. Agora, apesar ser boa filha e boa aluna, desde menina, eu tinha personalidade. Era contestadora. Perguntava o tempo todo o porquê das coisas. E não aceitava ouvir “porque sim” e “porque não”. Queria que me explicassem as leis e as lógicas de tudo, até a exaustão. Para mim força não é sinônimo de autoritarismo. É sinônimo de saber convencer, explicar, se fazer entender.

MC Quantos anos a senhora tinha quando seu pai morreu?
MB Tinha 22 ou 23. Estava no quarto ano de medicina, no estágio de cirurgia no hospital José Joaquim Agurré, que pertence à Universidade do Chile. Vi o chefe da cirurgia vindo até mim. Achei estranho, porque chefes nunca dão bola para alunos. Mas, depois dele, veio a minha mãe, com uma cara terrível. Os dois me levaram para o canto e deram a notícia de que meu pai, que estava preso a mando de Pinochet, morreu na prisão. Foi impressionante (emociona-se), uma dor muito grande. Não tinha ido à última visita na cadeia, porque tive uma coisa importante para fazer do outro lado da cidade. Ou seja, mesmo indo a todas as visitas — geralmente às quartas e sábados — não pude me despedir. Ele foi preso no dia do golpe, em 11 de setembro 1973 e morreu 12 de março de 1974. Era brigadeiro das Forças Aéreas e não se conformava em estar preso como se fosse inimigo da nação. Justo ele, que a vida toda se dedicou ao Exército, foi acusado de traição à patria por tentar respeitar a Constituição, quando Pinochet fazia exatamente o contrário, desrespeitava.

MC Onde a senhora estava no dia 11 de setembro de 1973?
MB Eu era militante estudantil e tinha decidido dormir na Faculdade de Medicina por causa dos rumores de que iam invadí-la. Era um momento complicado no Chile. Liguei para os meus pais, expliquei o que acontecia e disse que no dia seguinte iria para casa e conversaríamos. Minha mãe, arqueóloga aposentada, conta que às quatro da manhã, tocou o telefone lá em casa. Era um colega seu dizendo: “Há rumores de um golpe de Estado. O que o seu marido sabe sobre isso?”. Ela acordou meu pai assustada. Mas a resposta dele foi: “Mande esse idiota voltar para cama. Um golpe de Estado, no Chile? Impossível ”. Para ele, que acreditava piamente no Exército e na Constituição, isso não existia. Golpe de Estado era coisa dos bolívares, de outros países da América Latina, não do Chile. Nós chilenos, sempre nos achamos a Suíça da América do Sul, né? Então, para os suíços, um golpe era algo totalmente fora de cogitação. Foi um misto de ingenuidade com traição. Sabendo que meu pai não participaria do golpe, seus colegas de farda o deixaram de fora e o apunhalaram (por causa dos maus-tratos sofridos na prisão, Alberto Bachelet sofreu um infarto).

MC A senhora e sua mãe foram presas por serem consideradas “ameaças socialistas” ao governo de Pinochet. Depois, passaram quatro anos exiladas na Alemanha. Como foi esse período? Diria que foi o pior momento da sua vida?
MB Sem dúvida, foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Não só por mim, mas por tudo: o golpe, a morte do meu pai e de amigos queridos, a perseguição, o exílio, a quebra dos ideais de toda uma geração. Ainda assim fiquei no Partido Socialista. Até que, ao meio-dia do dia 10 de janeiro de 1975, os homens da DINA (Direção da Inteligência Nacional) apareceram na minha casa, vendaram a mim e a minha mãe e nos levaram à Villa Grimaldi, principal centro de tortura do Chile (Bachelet mostra-se desconfortável em falar sobre o tema, mas, segundo sua biografia, ela e a mãe teriam sido separadas e submetidas a interrogatórios e agressões físicas). Um mês depois, conseguimos sair do país. Primeiro, fomos para a Austrália e, em seguida, para a Alemanha.

MC Como foi a volta do exílio?
MB Fomos morar no mesmo apartamento em que vivíamos antes, só que nesse mesmo edifício passou a viver um dos conhecidos torturadores da Villa Grimaldi. Era horrível encontrar com ele no elevador, na garagem. Minha mãe mais de uma vez disse: “Sei bem quem é o senhor, viu? Eu te conheci na Villa Grimaldi!”. Ele abaixava a cabeça, dava um jeito de desviar da gente, sentia-se tremendamente desconfortável. Mas ele foi preso e nesse momento está na cadeia.

MC Mesmo tendo sido torturada pelos militares, a senhora estudou estratégia militar no Chile e fez uma pós-graduação em defesa continental no Forte Leslie McNair, em Washington. Por que isso?
MB Me formei em medicina (na Faculdade de Humboldt, durante o exílio em Berlim, de 1975 a 1979) com especialização em pediatria e saúde pública. Depois, fiz um curso de seis meses na Academia Nacional de Políticas Estratégicas do Chile e ganhei uma bolsa para fazer essa pós nos EUA. Percebi que o golpe de 1973 tinha a ver com a falta de diálogo entre o mundo político e o militar. No início dos anos 90, quando nunca imaginava que pudesse ser ministra ou presidenta, passei a me perguntar o que eu, pessoal mente, poderia fazer para evitar que o país repetisse seus erros. Eu me cobrava isso, precisava ajudar os outros a não passarem pelo que eu passei. No caso do Chile, a melhor maneira de fazer isso era estudando o Exército (Como ministra da Defesa, ela aumentou o contingente de mulheres nas tropas e de militares nas missões de paz, conseguiu melhores salários e aproximou as Forças Armadas das vítimas da ditadura).

MC Mesmo mulheres fortes têm seus momentos de fragilidade. Quais são os seus? O que a faz chorar? Qual foi a última vez?
MB Não lembro exatamente qual foi a última vez. Mas o que mais me faz chorar é a injustiça. Ver uma mulher ou uma criança serem maltratadas me destrói. É indescritível minha sensação de impotência ao ver que mesmo a sociedade tendo evoluído tanto, ainda morrem de fome 12 crianças por minuto... isso é horrível. E não é o pior. Estatísticas não mostram a cara.Ver de perto a violência é muito mais doloroso. Me comovi profundamente com o que vi no Quênia: bebês desnutridos nos braços das mães, como se já não pertencessem a esse mundo (embarga a voz). Não podemos levantar da cama todos os dias pensando no que está acontecendo de pior. Mas admito que muitas vezes isso acontece comigo.

MC E o amor? Já a fez chorar?
MB No passado, várias vezes (risos). Na verdade, algumas (recompondo-se). Faz tempo que estou sem companheiro. Mas tomei uma decisão: “Se o amor chegar, chegou. Não vou ficar procurando”.

MC Como é a relação da senhora com seus ex-maridos?
MB Somos muito amigos. Para mim, o mais importante era que os meninos estivessem bem. E filhos só ficam bem quando sabem que seus pais também estão.

MC Diria que é uma boa avó?
MB Sou uma avó ausente (risos). Fico em Nova York e os meninos no Chile. Mas leio e gravo histórias para eles sempre que posso. Depois, peço que meu filho coloque para que eles ouçam, assim não se esquecem da voz e do carinho da avó. Sou um dinassouro tecnológico, mas uma das minhas resoluções de ano novo é dominar o skype, assim, além de falar com eles, poderei vê-los.

MC Como é sua vida em NY?
MB É 100% trabalho. Viajo muito e fico pouco em casa. Moro sozinha, em um apartamento com vista para o rio, e me levanto cedo. Vou caminhando para a ONU e sempre compro um café para viagem. No pouco tempo livre, adoro ouvir música e cozinhar.

Reportagem da Revista Marie Claire

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Twitter, justiça e eleições

Hoje tive acesso a informação da decisão do juiz eleitoral de Porto Alegre sobre o uso do twitter. Como muitos sabem recebi duas notificações de decisões do judiciário. A primeira ordenava que eu retirasse dois perfis do twitter por, em tese, serem campanha eleitoral antecipada. Não me recordo os nomes mas sei que faziam menção à candidatura a prefeitura. Mobilizamos a rede e, por serem perfis com posicionamento favorável a mim - conseguimos retira-los do ar. Eram fakes ingênuos que nem sequer manifestavam de maneira permanente apoio a mim. Cogitava, inclusive, que poderiam ser adversários que guardavam o nome de usuário para, na hora certa, me atacar. Pois bem, como defensora da liberdade na internet jamais entrei com ações judiciais para a retirada de materiais virtuais a meu respeito: nem os favoráveis não ativos, nem os pejorativos (que até hoje lotam as redes sociais e espaços de vídeos virtuais). Tampouco o juiz ordenou a retirada ou investigação de autoria sobre materiais que atingem, inclusive, minha honra.
Mas não ingresso na justica por convicção. Inclusive convicção que, se é possível localizar autores, não é justo e correto que a Policia Federal (policia responsável pelos crimes eleitorais) seja envolvida em atos tão pequenos frente ao combate da pedofilia, racismo etc virtuais.
Ok. Passada a informação da retirada, o êxito da retirada dos perfis com mobilização virtual, achei que a trama kafkaniana tivesse acabado. Eis que somos multados! Multados por perfis fakes. Ok. Vamos recorrer com o argumento obvio que o juiz ordene a investigação para descobrir autores já que a legislação brasileira é claríssima quanto a presunção da inocência.
Eis que leio a decisão judicial e descubro que, por o perfil ter UMA VEZ feito uma menção com direto ao meu perfil do twitter, no ano passado, o juiz entende que eu fui omissa por não pedir o seu bloqueio. Ceus!!!!! Que loucura! Entendo agora que de cada um dos militantes da candidatura X quiserem prejudicar Y, basta fazer um perfil favorável a Y e dizer: "oi Y". pronto. Multa de 5 mil reais. Será que o juiz sabe como funciona o twitter, quantas menções recebo num dia? Eu perco o meu tempo denunciando quem defende pedofilia, racismo, homofobia. Não com quem fala oi.
É preciso que o TSE faça algo concreto para que não ocorra mais uma vez, a exemplo de 2008, a punição de quem usa a internet.
Fui uma das mais ativas legisladoras para a liberação da rede nas campanhas. Milito pelo marco civil. Mas, para tanto, faço uso de pessoas que sabem mais que eu, que entendem, que estudam. Apelo para o judiciário que tenha bom senso e faça o mesmo. Senão, vocês estimularão a milhares de pessoas montarem a seguinte equação: ajudar a alguém é a melhor maneira de prejudicar esse alguém.

domingo, 29 de abril de 2012

Minha ídola

Quando a vi caminhando em Paris até um restaurante de sua preferência, pedindo informações e, depois, escolhendo nossos pratos com um francês vivido, senti o coração apertar e uma vontade grande de chorar. Chorar de orgulho.
Hoje li na Zero Hora a entrevista da Gi sobre eleições na França.
Meu coração aperta pois sei, como alguns de nós, que Gisele representa gerações de jovens pobres e negros que lutam por um sonho. A menina entrevistada, mestranda na Sorbonne, é a Gisele telefonista. É a Gisele sambista do Leopoldina, é a menina que "desceu o morro" sem trair o morro. Ao contrário. É a menina que me emocionou, dentro do metrô em Paris, ao dizer que sentia-se obrigada a voltar a Porto Alegre para ajudar na eleição. Como poderia ela perder a chance de ajudar centenas de pessoas?
Gisele, que mora em 12m2, cuida de crianças para viver enquanto estuda em Paris. Gisele que estuda na biblioteca do centro pompidue, gisele que come no RU. Gisele é minha ídola.
Menina de carne e osso, sorriso largo com dentes brancos que constrastam com a pele negra, menina da escola pública, batalhadora, qua saía correndo do mandato para a universidade paga com muito trabalho (ainda antes do PROUNI). Menina que um dia me encheu os olhos d'água e o coração de orgulho ao pedir demissão e anunciar: "fui selecionada. É hora de ir pra França".Gisele é minha ídola pois é de verdade. E transformou sonhos em realidade.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pausa?!

Esse blog sempre foi meu espaço mais íntimo na internet. Um pouco de minhas opiniões, homenagens as minhas pessoas, tentativas de poetar... Está chegando o período em que menos consigo escrever pois Quase tudo é voltado para construção política. Peço desculpas. Tenho lido menos romances, poetado menos ainda, ficando com os meus pouquíssimo...
Tentarei, durante esses meses, relatar angustias, problemas, felicidades. Sempre sem mediação nenhuma.
Beijos e nos vemos!

domingo, 22 de abril de 2012

Sopa legumes com quinua

Sopa de legumes

Pegue os legumes/ verduras de sua preferencia, corte em
Cubos e coloque numa grande panela com água.
Eu uso abobara, cenoura, chuchu, vagem, batata doce, couve.
Coloque sempre primeiro aquela que leva mais tempo para cozinhar. Nesse caso a abóbora, depois batata doce e por ultimo a couve.
Quando estiver com a abóbora quase cremosa, tu podes cortar cubos de peito de frango ou pedaços de carne vermelha e colocar para ferver.
No final, acrescenta duas colheres de sopa de quinua.
Com essa receita podemos fazer diferentes sopas. Pode ser com ou sem carne, com ou sem quinua e pode bater ou nao no liqüidificador.

Sopa de cenoura com gengibre

Sopa de cenoura com gengibre

Cozinhe as cenouras. As refogue com Temperos de seu gosto e depois rale um pedaço de 5 cm de gengibre. Bata no liqüidificador com água.
Ferva.
Pode ser feita com abóbora.

Mousse de chocolate de mentira

1 pote doce de leite (o famoso mu mu)
1 caixa creme de leite
6-8 colheres de chocolate em
Pó (sem açúcar)

Misture tudo e coloque na geladeira por uma hora.
Fica um mousse ótimo!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ela. De novo.

Eu a reencontrei.
E foi mais doído do que quando, ingenuamente, ela pediu para vir comigo.
Quando, há dois anos, uma linda menina pediu que eu a retirasse daquela comunidade em que ela vive sem os pais (presos) reforcei minha convicção que não há como se ter descanso enquanto não garantirmos vida feliz para nossas crianças.
Domingo a reencontrei. Ela andava de bicicleta e mais uma vez chorou quando a pedi que retornasse, que não me pedisse para ir.
Foi pior pois quase nada ou nada mudou. Pior pois é impossível tirarmos todos eles "dali". Mas tem que ser possível mudar o ali.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Deixei

Passei pela primeira casa em que vivi só. Lá se vão tantos anos...
Deixei nela uma cozinha laranja, cálices de Cristal, um tapete branco sujo de vinho, um gol vermelho roubado.
Deixei ingenuidade. Deixei esperanças. Deixei pessoas. Deixei saudades.