domingo, 13 de novembro de 2011

Parte 1/20

Parte 1/20

Não podia Acreditar que ela tivesse seios tão pequenos. Do farto conteúdo exibido durante os aqueles anos de convívio, não sobrara nem sequer a metade.  Ela olhava, incrédula, para a pessoa sentada em sua frente, do outro lado da mesa. Mudaram de continente para promover um reencontro. Nada de conversas sobre os fatos, apenas a exibição de alguns nomes e histórias que comprovavam a existência da intersecção entre aquelas vidas. O reencontro não foi entre elas, como esperado. Mas de cada uma consigo mesma.

Uma história incomum

Escrevi uma pequena história de ficção, dividida em pequenas 20 partes. Publicarei, cotidianamente, cada uma das partes aqui no blog.

Dica de leitura

"o professor de botânica" de Samir Machado de Machado, publicado pela não editora me fez bem. Primeiro porque gosto de livros que me fazem bem por me jogarem para outros mundos. O primeiro outro mundo em que este me jogou foi o meu próprio. O meu antigo mundo: minha vida de bolsista de pesquisa na universidade. Sei bem da rotina dos estudantes da Bio, as viagens à reserva. Também me fez lembrar do mundo de uma querida amiga bióloga.
Mas, além disso, além do que despertou em mim pela minha própria vida, Samir Machado de Machado conseguiu me prender num livro sobre a mediocridade comum a tantas vidas.
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Além de tudo, a gaúcha  "não editora" caiu no meu gosto: livros lindos, papel maravilhoso, capas expressivas, tamanho ideal e  autores muito talentosos da minha geração, ou seja, ainda não conhecidos. Perfeito.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Conselho

Os Argentinos usam a seguinte expressão:  "dos inimigos? O conselho".
Amei. Reforça a idéia do que expus em outro texto. Os adversários nos chamam a atenção, com suas críticas ferozes, das questões que  acertamos. Também chamam dos erros, é óbvio.
Mais atenção e humildade para ouvi-los é a minha particular conclusão.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O twitter e seus verbetes

Gente,
Decidi transformar em risos a exaustão que andamos com "a nova ofensiva virtual" dos setores mais atrasados. Como? Vamos criar, de maneira colaborativa, uma espécie dicionário dos termos mais utilizados e seus significados? Vou me dedicar a alguns verbetes relacionados ao machismo virtual e outros da disputa política. Ah! Não precisamos nos dedicar apenas à palavras. Podemos falar também de expressões.

- "agressiva": mulher que responde aos tweets em que é criticada. O uso masculino da palavra se estabelece com "combativo"

- "neurótica": mulher que interpreta adequadamente as ofensas machistas que sofre. O uso masculino da palavra pode se dar com "atento".

-"irritada": mulher que é enfática para responder críticas. O masculino é "indignado".

-"raivosa": expressão utilizada para mulheres com opiniões firmes. No masculino é utilizada como "firme".

-"bonitinha": o feminino de burro.

-"estressada": leia "agressiva", "neurótica", "raivosa" e "irritada" e seus usos no masculino. 

- "mal amada" ou mal coisa pior, mais vulgar e mais utilizado: mulher que fica indignada com rebaixamento da discussão.

-"Não sabes separar o pessoal do político": expressão normalmente usada por aqueles que ofendem alguém pessoalmente e, depois, reinvindicam estar debatendo  idéias.

-"eficiente": aquele que concorda com as idéias de quem escreve.

-"seja democrático!": expressão usada quando questionas a opinião de alguém. Ou seja, democracia para esses é quando a única Opinião que vale é a própria.

-"democrático": aquele que concorda com quem escreve.

-"não seja estúpido" ou "não seja grosseiro": usada quando não concordam com aquilo que escreves em 140 caracteres.

-"não tem argumentos": usada quando não concordam com os teus. Também ignora que estás no twitter e não num simpósio em Harvard.

-"incoerente": aquele que não é coerente com as idéias. Dos outros.

Por enquanto essa é minha contribuição! Enviem as suas!

Dica de leitura 2

"por isso sou vingativa", da fantástica Claudia Tajes, é de
morrer de rir.  Com menos de cem páginas, Tajes explora com muita habilidade a vida de uma mulher bastante frustrada em seus relacionamentos. A certa altura ela estabelece como meta de sua vida a vingança contra todos os que a fizeram sofrer. Aí é que são elas...
Já pensou se todas nós decidimos fazer isso? 

Dica de leitura

"a virgem que não conhecia Picasso, escrito pelo jovem Rodrigo Rosp,
da gaúcha "não editora" é uma bela seleção de contos sobre um mesmo tema: sexo.
É leve e engraçado. Gostei.
Gosto mais ainda de saber o que a gurizada anda escrevendo pelo Rio Grande.

Saúde e Direitos da Juventude

Há poucas semanas recebi convite da UNFPA, prganização ligada à ONU para participar, representando nosso país, de um encontro global de jovens parlamentares sobre saúde, direitos sexuais e reprodutivos da juventude. São 10 parlamentares da América (do Norte, Sul e central). Fiquei, evidentemente, muito honrada.
Assim,estou partindo para uma viagem – sem nenhum custo para os cofres públicos . Vou contando as coisas aos poucos. Beijos

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Contradição x convicção

Contradição louca essa que faz ter vontade de abandonar ao mesmo tempo em que incentiva a lutar!
Contradição essa que me exaure por ver tanto machismo e que me joga, enérgica, no debate para que ele não exista mais.
A contradição é o que me faz quase desistir, às vezes. Mas apenas pelos 30 segundos necessários para que ela se transforme em convicção. Convicção da necessidade. Convicção de que os adversários sempre foram esses. Se suas caras são diferentes, se seus ataques são ainda mais baixos e freqüentes, eles apenas atacam por que o caminho escolhido é o certo. No vocabulário de Nossas vidas Convicção é palavra superior à contradição.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

mais amor

Sentimental
Carlos Drummond de Andrade

Ponho-me a escrever teu nome com letras de macarrão. No prato, a sopa esfria, cheia de escamas e debruçadas na mesa todos completam esse romântico trabalho. Desgraçadamente falta uma letra, uma letra somente para acabar teu nome! - Está sonhando? Olhe que a sopa esfria! Eu estava sonhando... E há em todas as consciências um cartaz amarelo: "Neste país é proibido sonhar." Amar o perdido deixa confundido este coração. Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não. As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão Mas as coisas findas muito mais que lindas, essas ficarão.

um pouco de amor

Tu Tens um Medo
Cecília Meireles

Acabar. Não vês que acabas todo o dia. Que morres no amor. Na tristeza. Na dúvida. No desejo. Que te renovas todo dia. No amor. Na tristeza Na dúvida. No desejo. Que és sempre outro. Que és sempre o mesmo. Que morrerás por idades imensas. Até não teres medo de morrer. E então serás eterno. Não ames como os homens amam. Não ames com amor. Ama sem amor. Ama sem querer. Ama sem sentir. Ama como se fosses outro. Como se fosses amar. Sem esperar. Tão separado do que ama, em ti, Que não te inquiete Se o amor leva à felicidade, Se leva à morte, Se leva a algum destino. Se te leva. E se vai, ele mesmo... Não faças de ti Um sonho a realizar. Vai. Sem caminho marcado. Tu és o de todos os caminhos. Sê apenas uma presença. Invisível presença silenciosa. Todas as coisas esperam a luz, Sem dizerem que a esperam. Sem saberem que existe. Todas as coisas esperarão por ti, Sem te falarem. Sem lhes falares. Sê o que renuncia Altamente: Sem tristeza da tua renúncia! Sem orgulho da tua renúncia! Abre as tuas mãos sobre o infinito. E não deixes ficar de ti Nem esse último gesto! O que tu viste amargo, Doloroso, Difícil, O que tu viste inútil Foi o que viram os teus olhos Humanos, Esquecidos... Enganados... No momento da tua renúncia Estende sobre a vida Os teus olhos E tu verás o que vias: Mas tu verás melhor... ... E tudo que era efêmero se desfez. E ficaste só tu, que é eterno.

meu amor

o que inspira

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Ratos com asas

Existem dias em que o mundo perde a cor. Nesses dias, o bem e o mal ficam claros. É como se ficasse preto e branco. Sabemos quem é quem com maior nitidez.
São os dias em que os ratos adquirem asas. Voam. 
São os dias em que as borboletas chegam mais brilhantes. 
Dias duros. Em que conseguimos ver quem é quem.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

De volta ao passado

Segunda-feira, a convite de meu ex-professor Juremir Machado, falei com cerca de cinqüenta estudantes de jornalismo da Famecos/PUCRS. Foi nessa faculdade em que me formei jornalista. Mas aquelas salas de aula, mais do que isso, significam, para mim, a louca dinâmica da vida. Lá ingressei com os sonhos da menina que catava as letras na máquina de escrever Olivetti -uma vermelha. Anos antes de ser presenteada com aquela vermelha, um doze de outubro me apresentou uma de plástico (lembras disso, mãe?). E ainda com a improvisada máquina plástica comecei a construir aquilo que queria para o meu futuro. Sonhos e planos eram sinônimos e significam ser jornalista.
 Eram bem simples os Meus objetivos. Queria contar a verdade da vida e do mundo nas páginas dos jornais.  Melhorar o mundo. Achava que a verdade bastava.  
Talvez a equação montada por minha cabeça infantil fosse perfeita: se as pessoas tivessem acesso a verdade sobre as coisas teriam condições de  promover mudanças. Não entendia eu, com meus felizes 17 anos, que a vida não era tão simples. E foi a falta de simplicidade que me fez militante política, na mesma Famecos em que vi olhos brilharem ontem.
Ali entendi que não bastava sabermos a verdade. Era necessário adquirirmos consciência. Ali entendi que as disputas políticas eram, na maior parte das vezes, sujas.  Foi ali na Famecos que jurei para mim mesma jamais me tornar igual aos meus adversários. E também entendi o sentido da unidade de pessoas de diferentes partidos. 
E ontem, na coletiva-aula, me deparei com a emoção de ter construído um caminho que não sonhei. Que não idealizei. 
Um caminho que a vida me mostrou ser o meu para poder ser aquilo que eu julgava ser uma jornalista.
 A diferença? A diferença é que optei por não ser uma contadora de histórias, apenas. Mas alguém que trabalha para mudar a essas histórias.