Parece que será para sempre como essa cidade bombardeada: acordar e dormir sendo reconstruída para tentar esquecer que um dia foi perfeito,
Que um dia houve uma casa para a qual voltava e perguntava como foi o dia com vontade de saber,
E contava o dia com vontade de contar como foi o dia.
Parece para sempre haverá
um muro
Um passaporte.
Um carimbo.
Um lado para se escolher,
Uma guerra para se travar.
Para que não se esqueça,
Para que não se repita,
dizem os judeus.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Sobre loucas e santas
Gritaste: "louca!"
fiquei parada.
Não entendeste nada!
Achaste que poderias humilhar sempre,
Até mesmo em público.
apenas te achei frágil,
são frágeis os que precisam ofender.
Depois,
A louca não era eu.
A louca era a que tomas por santa.
E a santa contou, envolveu, expôs, machucou quem não devia:
Escândalo, vulgaridade, baixaria.
Não lembras.
Nunca lembras.
Errei novamente, permiti.
E a santa pautou a vida.
pauta a tua vida.
Pobre santa!
Com seu manto,
Abandonada,
Sofrida.
Envelhecida.
Equivocadamente aceitei dividir a mesa
Com a santidade que é tua.
Não minha.
Jamais deveria ter ido ao culto.
Por que fui?
Depois, acreditavas que podias qualquer coisa.
Oraste por tua fé em Meu altar.
Não te pedi para sair da igreja.
Não sei o porquê.
Faltou fé.
Faltou força.
Agora, Cansada disso tudo.
Chutei a imagem da santa.
Oca.
Recheada de ouro,
Como eram aquelas carregadas pelos portugueses nos idos de 1500!
Santa do pau oco.
Tu, assustado,
Decidiste punir quem chutou.
Sempre é mais simples.
Isso. Tira o sofá da sala.
Quantos sofás já trocaste por essa santa?
fiquei parada.
Não entendeste nada!
Achaste que poderias humilhar sempre,
Até mesmo em público.
apenas te achei frágil,
são frágeis os que precisam ofender.
Depois,
A louca não era eu.
A louca era a que tomas por santa.
E a santa contou, envolveu, expôs, machucou quem não devia:
Escândalo, vulgaridade, baixaria.
Não lembras.
Nunca lembras.
Errei novamente, permiti.
E a santa pautou a vida.
pauta a tua vida.
Pobre santa!
Com seu manto,
Abandonada,
Sofrida.
Envelhecida.
Equivocadamente aceitei dividir a mesa
Com a santidade que é tua.
Não minha.
Jamais deveria ter ido ao culto.
Por que fui?
Depois, acreditavas que podias qualquer coisa.
Oraste por tua fé em Meu altar.
Não te pedi para sair da igreja.
Não sei o porquê.
Faltou fé.
Faltou força.
Agora, Cansada disso tudo.
Chutei a imagem da santa.
Oca.
Recheada de ouro,
Como eram aquelas carregadas pelos portugueses nos idos de 1500!
Santa do pau oco.
Tu, assustado,
Decidiste punir quem chutou.
Sempre é mais simples.
Isso. Tira o sofá da sala.
Quantos sofás já trocaste por essa santa?
Bingo.
Tu estás certo,
Coberto de razão,
Como eram cobertos de chocolate
os bolos das festas infantis.
Eu não deveria ter feito
Nada daquilo..
Não.
Jamais poderia ter escrito tudo o que sentia.
Era um dia tão importante para ti!
Como a véspera, o Natal, o ano-novo e todos os últimos dias de sempre...
Como me dei o direito de existir num
Mundo em que apenas tu existes?
Afinal,
Se não suporto o peso de viver no teu mundo...
O melhor é sair dele.
Bingo.
Coberto de razão,
Como eram cobertos de chocolate
os bolos das festas infantis.
Eu não deveria ter feito
Nada daquilo..
Não.
Jamais poderia ter escrito tudo o que sentia.
Era um dia tão importante para ti!
Como a véspera, o Natal, o ano-novo e todos os últimos dias de sempre...
Como me dei o direito de existir num
Mundo em que apenas tu existes?
Afinal,
Se não suporto o peso de viver no teu mundo...
O melhor é sair dele.
Bingo.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Cansada
Intoxicação por chumbo ou mercúrio,
sei lá.
Dessas que não acontecem em um único dia.
Dizem que as pessoas passam anos expostas até adoecerem.
Não é a doença de um fato.
É a doença de um todo.
A tortura da gota d'água.
Aquela que trancam alguém numa peça.
Sem choques ou pau de arara.
E a enlouquecem com o barulho constante, regular, inalterável da gota de água.
Assim fizeste comigo.
sei lá.
Dessas que não acontecem em um único dia.
Dizem que as pessoas passam anos expostas até adoecerem.
Não é a doença de um fato.
É a doença de um todo.
A tortura da gota d'água.
Aquela que trancam alguém numa peça.
Sem choques ou pau de arara.
E a enlouquecem com o barulho constante, regular, inalterável da gota de água.
Assim fizeste comigo.
Solidão
Desistimos,
um por um de ti.
Desistemos de tocar,
de falar.
Percebo que foi ela
quem cansou desse olhar
que julga,
obliquo.
Foi ela quem,
Por fim,
mesmo sofrendo,
bateu a porta.
Cansada da grosseria,
"do saber tudo".
rei-sol,
centro do mundo,
mundo que gira ao redor.
Não foste tu quem escolheu a solidão,
Percebo,
Quase tardiamente.
Foi ela quem te escolheu.
E temo que seja a única que não canse de ti.
um por um de ti.
Desistemos de tocar,
de falar.
Percebo que foi ela
quem cansou desse olhar
que julga,
obliquo.
Foi ela quem,
Por fim,
mesmo sofrendo,
bateu a porta.
Cansada da grosseria,
"do saber tudo".
rei-sol,
centro do mundo,
mundo que gira ao redor.
Não foste tu quem escolheu a solidão,
Percebo,
Quase tardiamente.
Foi ela quem te escolheu.
E temo que seja a única que não canse de ti.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Tempo
Podes dar tempo ao tempo?
Gritas, como quem é o senhor de uma razão antiga.
Sim,
Tens um tempo infinito.
O tempo de tua vida inteira.
Não da minha.
Entendo hoje a pergunta feita há algum tempo atrás.
Não tenho muito o que fazer aqui.
Não desfizeste o armário,
Manténs o porta-retrato,
Os papéis,
Lençol e documentos.
Queres tudo no teu tempo!
Gritas, novamente dono da razão antiga, mesmo que eu apenas falasse, como há muito não o fazia.
Não. Não quero nada no meu tempo.
Eu apenas quero viver a vida no tempo presente.
Sem o passado de ninguém na minha volta.
Gritas, como quem é o senhor de uma razão antiga.
Sim,
Tens um tempo infinito.
O tempo de tua vida inteira.
Não da minha.
Entendo hoje a pergunta feita há algum tempo atrás.
Não tenho muito o que fazer aqui.
Não desfizeste o armário,
Manténs o porta-retrato,
Os papéis,
Lençol e documentos.
Queres tudo no teu tempo!
Gritas, novamente dono da razão antiga, mesmo que eu apenas falasse, como há muito não o fazia.
Não. Não quero nada no meu tempo.
Eu apenas quero viver a vida no tempo presente.
Sem o passado de ninguém na minha volta.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Oco
Naquela noite
- Longe -
um filme de terror virava realidade.
Na porta de um edifício.
Roupas de bebê eram postas no lixo.
Brancas, sonhadas, Cortadas.
Naquela noite ele desejou que fosse oco o útero dela como oco, dizia, era o coracão.
Naquela noite, ele comia peixe, via a lua, ria da vida.
Na manhã seguinte,
mães procuravam - desesperadas - aos filhos.
Ela levava o filho dela.
Dele.
A mãe dele.
Sentiam medo.
Ela sentia medo.
Oco.
Não tardou ao ouvir o som.
O coracão oco.
Dele.
- Longe -
um filme de terror virava realidade.
Na porta de um edifício.
Roupas de bebê eram postas no lixo.
Brancas, sonhadas, Cortadas.
Naquela noite ele desejou que fosse oco o útero dela como oco, dizia, era o coracão.
Naquela noite, ele comia peixe, via a lua, ria da vida.
Na manhã seguinte,
mães procuravam - desesperadas - aos filhos.
Ela levava o filho dela.
Dele.
A mãe dele.
Sentiam medo.
Ela sentia medo.
Oco.
Não tardou ao ouvir o som.
O coracão oco.
Dele.
Alma
Amanhece.
Sinto o corpo que é só meu e agradeço o gosto Salgado que escorre de meus olhos.
Meses atrás, Quando a pele começou a cair, assustei!
Corri para tirar os espelhos da casa.
Hoje, foram tantas as mutações pelas quais passei que já não me espanto.
A alma não reflete em espelho nenhum. Às vezes, machucada, sangra pelos olhos.
Sinto o corpo que é só meu e agradeço o gosto Salgado que escorre de meus olhos.
Meses atrás, Quando a pele começou a cair, assustei!
Corri para tirar os espelhos da casa.
Hoje, foram tantas as mutações pelas quais passei que já não me espanto.
A alma não reflete em espelho nenhum. Às vezes, machucada, sangra pelos olhos.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Venceste
Quem não responde a uma carta de amor,
Quem deixa o eu te amo no ar,
Quem não perdoa o erro - que também era seu - e faz chorar,
Não quer mais o brilho no olhar,
O espontâneo querer,
O cuidar gratuito.
Quem silencia orgulhosamente,
Quer ser livre.
Ok.
You win.
Me voy.
Adiós.
Quem deixa o eu te amo no ar,
Quem não perdoa o erro - que também era seu - e faz chorar,
Não quer mais o brilho no olhar,
O espontâneo querer,
O cuidar gratuito.
Quem silencia orgulhosamente,
Quer ser livre.
Ok.
You win.
Me voy.
Adiós.
Não creio
Acreditei que entre nós as coisas fizessem sentido.
Acreditei, de verdade.
foram tantas vezes que tu falaste o que eu pensava,
Tantas vezes que marcamos cinco pontos no "stop",
Tantas vezes que a gente pediu a mesma comida,
Quis ver o mesmo filme,
Brigou a mesma briga
que acreditei que entre nós as coisas fizessem sentido.
porque um dia escrevi um poema sobre uma campainha e tu entendeste!
disseste que estavas do meu lado da porta.
O que fazer?
sou mesmo assim.
acredito que posso mudar o mundo,
Embora tu aches que não consiga mudar a mim mesma...
Acredito em sorrisos verdadeiros,
Embora, às vezes, eu mesma sorria apenas para trancar o choro.
Ah! Quantas fotos com sorrisos que trancam o choro já saíram em capas de jornais?
Um dia, mais cedo ou mais tarde, o sorriso voltará a ser verdadeiro.
O mundo terá mudado.
E talvez eu mude também.
acredito.
Até lá,
Marco dez pontos no stop,
Nem penso para não me perder de mim,
Não brigo,
Não como,
Não creio.
Escrevo.
Acreditei, de verdade.
foram tantas vezes que tu falaste o que eu pensava,
Tantas vezes que marcamos cinco pontos no "stop",
Tantas vezes que a gente pediu a mesma comida,
Quis ver o mesmo filme,
Brigou a mesma briga
que acreditei que entre nós as coisas fizessem sentido.
porque um dia escrevi um poema sobre uma campainha e tu entendeste!
disseste que estavas do meu lado da porta.
O que fazer?
sou mesmo assim.
acredito que posso mudar o mundo,
Embora tu aches que não consiga mudar a mim mesma...
Acredito em sorrisos verdadeiros,
Embora, às vezes, eu mesma sorria apenas para trancar o choro.
Ah! Quantas fotos com sorrisos que trancam o choro já saíram em capas de jornais?
Um dia, mais cedo ou mais tarde, o sorriso voltará a ser verdadeiro.
O mundo terá mudado.
E talvez eu mude também.
acredito.
Até lá,
Marco dez pontos no stop,
Nem penso para não me perder de mim,
Não brigo,
Não como,
Não creio.
Escrevo.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Teu silêncio
No primeiro dia,
teu silêncio me fez vomitar.
Chorei por um dia e uma noite.
Contei os segundos, os minutos.
dormi e acordei sem acreditar que ainda estavas quieto,
que me mantinhas no cativeiro,
Desvendei "o segredo de teus olhos".
Lembrei de antes,
do que te escrevi,
Do pedido de desculpas,
Do choro compulsivo,
Da mensagem sem Resposta.
Da resposta em que tu me empurravas do precipício,
Com a maldade das palavras:
"Estas doente".
Lembrei que naquele dia, gritando,
apaguei tuas fotos,
Teus rastros,
Que esfreguei a pele,
para tirar aquilo que de ti está tatuado em mim.
No segundo dia,
Chorei, escrevi, escrevi, expliquei, me expliquei, me expus, desvendei, fiquei nua.
Continuaste quieto.
Disse que te amava.
Tu?
Decidiste pegar a faca e cortar fino,
Parte por parte de tudo o que sinto por ti.
Depois,
Senti vergonha de mim.
De ter sentido isso tudo.
Agora,
Aprendi que amor demais não é problema.
Problema é amor de menos.
E de amor de menos, eu, ao menos, não sofro.
teu silêncio me fez vomitar.
Chorei por um dia e uma noite.
Contei os segundos, os minutos.
dormi e acordei sem acreditar que ainda estavas quieto,
que me mantinhas no cativeiro,
Desvendei "o segredo de teus olhos".
Lembrei de antes,
do que te escrevi,
Do pedido de desculpas,
Do choro compulsivo,
Da mensagem sem Resposta.
Da resposta em que tu me empurravas do precipício,
Com a maldade das palavras:
"Estas doente".
Lembrei que naquele dia, gritando,
apaguei tuas fotos,
Teus rastros,
Que esfreguei a pele,
para tirar aquilo que de ti está tatuado em mim.
No segundo dia,
Chorei, escrevi, escrevi, expliquei, me expliquei, me expus, desvendei, fiquei nua.
Continuaste quieto.
Disse que te amava.
Tu?
Decidiste pegar a faca e cortar fino,
Parte por parte de tudo o que sinto por ti.
Depois,
Senti vergonha de mim.
De ter sentido isso tudo.
Agora,
Aprendi que amor demais não é problema.
Problema é amor de menos.
E de amor de menos, eu, ao menos, não sofro.
Nada
Queria que sentisses raiva de mim,
Aquela raiva que sentimos quando somos traídos.
A raiva que nos faz, por uma fração de segundos,
sermos capazes de apertar o gatilho, tomar o veneno,
chegarmos à júri popular.
Podias talvez sentir nojo,
O nojo de imaginar teres tocado na pele suja de um suor que não era o teu.
O Nojo do cheiro de cigarro impregnado na roupa, nojo do sorriso dado para outra pessoa fotografar.
Ou saudade.
Falta da presença constante,
Moribunda,
Saudade Do olhar que te segue,
admira e deseja.
Podias sentir saudade do abraço, do cheiro, de qualquer coisa.
Mas não sentes Nada.
Nada disso.
és indiferente.
Não sentes
Raiva,
Nojo,
Saudade.
Não sentes nada.
Nada.
Aquela raiva que sentimos quando somos traídos.
A raiva que nos faz, por uma fração de segundos,
sermos capazes de apertar o gatilho, tomar o veneno,
chegarmos à júri popular.
Podias talvez sentir nojo,
O nojo de imaginar teres tocado na pele suja de um suor que não era o teu.
O Nojo do cheiro de cigarro impregnado na roupa, nojo do sorriso dado para outra pessoa fotografar.
Ou saudade.
Falta da presença constante,
Moribunda,
Saudade Do olhar que te segue,
admira e deseja.
Podias sentir saudade do abraço, do cheiro, de qualquer coisa.
Mas não sentes Nada.
Nada disso.
és indiferente.
Não sentes
Raiva,
Nojo,
Saudade.
Não sentes nada.
Nada.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
De mais nada.
Nada.
Não precisas de mais nada, dizes.
Machucas,
Feito fagulha,
Pedaço de Madeira miúda,
Doída,
Faca que mutila,
Papel que corta ardido,
Dizes que não precisas de mais nada.
Mostras teu gosto amargo da vingança,
Apenas pra me ver no canto,
Feito bicho,
Acuado,
Sangrando,
Gemendo,
Arrependida.
Muito.
Preciso de muito.
Preciso de braços.
Preciso de abraços.
Calor,
Amor,
Vida.
Não precisas de mais nada, dizes.
Machucas,
Feito fagulha,
Pedaço de Madeira miúda,
Doída,
Faca que mutila,
Papel que corta ardido,
Dizes que não precisas de mais nada.
Mostras teu gosto amargo da vingança,
Apenas pra me ver no canto,
Feito bicho,
Acuado,
Sangrando,
Gemendo,
Arrependida.
Muito.
Preciso de muito.
Preciso de braços.
Preciso de abraços.
Calor,
Amor,
Vida.
Aeroporto
Desembarquei e não me esperavas no aeroporto como tantas outras vezes.
Desci acompanhada dos meus medos que me deixaram sozinha.
Desci acompanhada dos meus medos que me deixaram sozinha.
Assinar:
Postagens (Atom)
