Essa semana está absolutamente atípica.
Ontem participei junto com José Serra de uma mesa redonda no Insper (como vocês viram abaixo) sobre o livro do Ed Glaeser. Soube que o livro saiu em português e parece que se chama "centros urbanos". O tragicômico foi que Ed Glaeser não conseguiu embarcar de Boston (ele é professor em Harvard) pois o visto havia expirado. Fez, então, a palestra por satélite. Concluí que podemos economizar muito e que o efeito é praticamente o mesmo.
O fato é que eu estava absolutamente grogue de tanta enxaqueca que sentia. Daqueles pesadas que fazem até vomitar. Típico efeito de meus nervos a flor da pele. Ocorre que de madrugada recebi uma notícia muito triste. Um menino dos nossos, do bem, morreu no morro. Vida triste. Morte triste da Família sem grana para o enterro. Aquilo tudo foi demais para mim. Estar longe, perder mais um... Céus! Quase cancelei minha viagem aos Estados Unidos. Cansada, triste, com dores... Mas encarei. Penso sempre em como quem se foi gostaria que eu agisse. O DU R era da luta.
E agora estou aqui em Washington. Há anos sou convidada para participar desse fórum e nunca o fiz. Agora aceitei. Comigo estão vários secretários de educação e ministros de estado do continente. Aproveito ainda para fazer algumas conversas bilaterais que possam contribuir para mandato ou programa de governo,
Mas é um bate-volta. Quinta já estou na terrinha. Afinal, sexta minha lindinha primeira sobrinha faz dois anos.
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Washington é linda na primavera. Flores plantadas, ciclovias por toda a parte, praças limpas, calçadas uniformes, jardins no recuo das casas e luzes com fios não expostos.
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Minha irmã mais velha faz aniversário hoje. A irmã que me dava sopa de abóobora na boca. Minha irmã que criou uma turma de personagens/vegetais para que eu acreditasse que eles eram legais. Para eles terem voz tinham que estar na barriga. Era a "festa na barriga". Não posso contar quantos anos ela faz pois ela jura que são 29. Mas quero que esse seja o melhor ano do resto de nossas vidas. E ela sabe o porquê.
terça-feira, 29 de maio de 2012
segunda-feira, 28 de maio de 2012
O triunfo e os desafios das cidades
Hoje participei, em São Paulo, do seminário sobre o Triunfo das Cidades (já falei sobre o livro aqui no blog). O debate foi ótimo, embora recheado de muitas ideias opostas! Mas fiquei pensando que o triunfo das cidades no traz, na mesma medida, desafios. E não são poucos os que temos que superar. Por exemplo, enquanto vivemos em cidades que buscam um nível de desenvolvimento cada vez maior, no campo ainda enfrentamos o trabalho escravo. Quando presidi a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara me deparei com uma série de denúncias quem envolviam essa prática. Todas muito graves. Triunfamos em alguns pontos e permanecemos tão atrasados em outros...
Na Câmara temos tentado romper esse atraso. Quando aprovamos a PEC do Trabalho Escravo, avançamos na busca da garantia dos direitos humanos e na erradicação de uma prática que parece tão absurda, mas que é comum. Aliás, mais comum que do que imaginamos.
O trabalho escravo rural faz parte, infelizmente, da realidade que vivemos, embora escondido, bem escondido. Não o suficiente para que não combatamos essa prática que agride violentamente a dignidade das pessoas. Não é fácil saber que ao nosso lado trabalham pessoas em condições sub-humanas, expostas a todo tipo de risco, sem proteção alguma, escravizadas. Na CDHM, vi mães carregando nos braços suas crianças vitimadas pelo trabalho escravo. Nos seus olhos, nenhuma esperança de mudança.
O Congresso começa a mudar isso ao aprovar a PEC, quase uma década depois de ter iniciado o debate.
O triunfo das cidades depende do protagonismo que temos diante dos problemas e desafios. Tenho orgulho de ter participado dessa votação histórica. Tenho orgulho de ver o Congresso assumir seus desafios e encará-los de frente, com coragem. É assim que se transformam as cidades. E, transformando as cidades, transformamos a vida das pessoas. Porque as cidades são essencialmente as pessoas que nela vivem e que a constroem.
sábado, 26 de maio de 2012
Dia de feira!
Hoje foi dia de caminhar nas feiras! De falar com quem me conhece há uma vida! Quem me viu amadurecer... Foi dia De ganhar doce de coco na Epatur e abóbora com casca na Vasco, de tomar suco de uva, comer pastel integral da sorte. Sim! Eu tenho um pastel de moranga com castanha que me dá sorte há 8 anos, que vende lá na feira ecológica. minha amiga vendedora está terminando a universidade com o PROUNI. sei que meu amigo traz frutas do mundo todo para a feira da vasco...Assim como sei a história de vida do vendedor de ambrosia da Epatur, da vendedora de amêndoas do Olímpico. E essas pessoas dão sentido para a ida na feira! Essas pessoas dão sentido para o que faço nesses oito anos de mandato. Essas pessoas que sigo olhando no olho.
A feira não é só a feira. A feira é encontro de gente. Gente. Isso é o que faz a nossa cidade, nossa!
A feira não é só a feira. A feira é encontro de gente. Gente. Isso é o que faz a nossa cidade, nossa!
sexta-feira, 25 de maio de 2012
A cidade
"no caminho que ninguém caminha, alta noite já se ia, ninguém na estrada andava... Nenhuma pessoa sozinha ia, nenhuma pessoa vinha"
(cantado por Marisa Monte)
Era tarde, estávamos todos cansados, subíamos o Morro Santa Tereza para participar de encontro na rádio comunitária evangélica. Estávamos no topo da cidade linda, distante, silenciosa, iluminada. Perto de um céu entre o azul e o negro, com estrelas encobertas pelas nuvens de um frio que não chegou. Estávamos no topo da cidade costeada por um lago. Ao lado das pessoas que observam a cidade e vivem pouco dela. E recebem pouco dela. No lugar mais lindo, com as pessoas que acreditam, ali mesmo me senti plena.
Era tarde da noite, estávamos cansados demais mas, ao olhar a cidade mais uma vez, senti que vale a pena.
(cantado por Marisa Monte)
Era tarde, estávamos todos cansados, subíamos o Morro Santa Tereza para participar de encontro na rádio comunitária evangélica. Estávamos no topo da cidade linda, distante, silenciosa, iluminada. Perto de um céu entre o azul e o negro, com estrelas encobertas pelas nuvens de um frio que não chegou. Estávamos no topo da cidade costeada por um lago. Ao lado das pessoas que observam a cidade e vivem pouco dela. E recebem pouco dela. No lugar mais lindo, com as pessoas que acreditam, ali mesmo me senti plena.
Era tarde da noite, estávamos cansados demais mas, ao olhar a cidade mais uma vez, senti que vale a pena.
Minha sobrinha
Eu com aquela enorme espinha na testa. Ela, com seus dois aninhos, olhava de um lado, olhava de outro, apertava. Até concluir e gritar: "mamãe, mamãe, a tia manu está furada". Que tal?
quinta-feira, 24 de maio de 2012
AI 5 digital
O AI 5 digital foi aprovado pela Comissão de Ciência e tecnologia?
Se o número do projeto é o que vale a resposta é sim.
Se o conteúdo do projeto é o que importa a resposta é não.
O movimento social organizado na internet teve sua maior vitória: após anos de resistência, o relator do projeto, Deputado Azeredo, retirou a imensa maioria dos artigos, todos relacionados ao vigilantismo e criminalização da rede.
Era o ideal? Não. Mas o Congresso nacional está longe de ser o palco ideal para nossas disputas. A hora agora é de garantir a aprovação do marco civil progressista na comissão especial e nos plenários da Câmara e Senado. Queremos que o projeto de cybercrimes (assinado por todos os deputados progressistas e que defendem radicalmente a liberdade na internet) seja votado em sua última etapa junto com o marco civil.
Ou seja, aqui respondo a outra pergunta. O projeto de cybercrimes não virou lei. Apenas teve sua primeira etapa vencida. Nossa meta continua a mesma: garantir os direitos dos usuários antes das tipificar os crimes. As etapas no Parlamento podem ser diferentes. A nossa meta é o resultado final: garantir a lei mais avançada do mundo (marco civil) e tipificar as ações realmente criminosas na internet.
Se o número do projeto é o que vale a resposta é sim.
Se o conteúdo do projeto é o que importa a resposta é não.
O movimento social organizado na internet teve sua maior vitória: após anos de resistência, o relator do projeto, Deputado Azeredo, retirou a imensa maioria dos artigos, todos relacionados ao vigilantismo e criminalização da rede.
Era o ideal? Não. Mas o Congresso nacional está longe de ser o palco ideal para nossas disputas. A hora agora é de garantir a aprovação do marco civil progressista na comissão especial e nos plenários da Câmara e Senado. Queremos que o projeto de cybercrimes (assinado por todos os deputados progressistas e que defendem radicalmente a liberdade na internet) seja votado em sua última etapa junto com o marco civil.
Ou seja, aqui respondo a outra pergunta. O projeto de cybercrimes não virou lei. Apenas teve sua primeira etapa vencida. Nossa meta continua a mesma: garantir os direitos dos usuários antes das tipificar os crimes. As etapas no Parlamento podem ser diferentes. A nossa meta é o resultado final: garantir a lei mais avançada do mundo (marco civil) e tipificar as ações realmente criminosas na internet.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Amizade verdadeira
Tenho uma amiga especial. Não sei quando nos aproximamos. Sei que a vida nos impõe distâncias físicas. Mas ela está sempre comigo. Doce. Amiga. De verdade. Farei meu vôo, Cris. Seja lá onde for o pouso. Te amo.
O voo dos anos
Quando chega o outono, milhões de borboletas iniciam sua longa viagem rumo ao sul, partindo das terras frias da América do Norte.
Um rio flui, então, ao longo do céu: o suave ondular, ondas de asas, vai deixando a seu passo, um esplendor cor de laranja nas alturas. As borboletas voam sobre as montanhas e prados e praias e cidades e desertos.
Pesam pouco mais que o ar. Durante os quatro mil quilometros da travessia algumas caem, derrubadas pelo cansaço, pelos ventos ou pelas chuvas; mas as muitas que resistem aterrisam, enfim, nos bosques do centro do México.
Lá descobrem aquele reino nunca visto, que de longe as chamava.
Para voar nasceram: para voar este voo.
Eduardo Galeano
O voo dos anos
Quando chega o outono, milhões de borboletas iniciam sua longa viagem rumo ao sul, partindo das terras frias da América do Norte.
Um rio flui, então, ao longo do céu: o suave ondular, ondas de asas, vai deixando a seu passo, um esplendor cor de laranja nas alturas. As borboletas voam sobre as montanhas e prados e praias e cidades e desertos.
Pesam pouco mais que o ar. Durante os quatro mil quilometros da travessia algumas caem, derrubadas pelo cansaço, pelos ventos ou pelas chuvas; mas as muitas que resistem aterrisam, enfim, nos bosques do centro do México.
Lá descobrem aquele reino nunca visto, que de longe as chamava.
Para voar nasceram: para voar este voo.
Eduardo Galeano
Livro
Ando estudando muito os temas relacionados ao desenvolvimento urbano e as reflexões mundiais sobre cidades em função da minha pré-candidatura em Porto Alegre. Se é certo que não existe modelo a ser copiado, também é certo que existe muita coisa legal acontecendo. E isso, pode inspirar soluções novas para nossos antigos problemas.
Hoje terminei as extensas 300 páginas de "triumph of the city", do Edward Glaeser. Foi desafiador voltar a ler em inglês, mas esse é o Principal pesquisador de harvard sobre cidades. E eu tento buscar um pouco em cada país, com zero de preconceito.
Polêmico e recheado de informações, Glaeser tem idéias com as quais não concordo. Creio que ele não compreende o papel que o estado pode ter na diminuição das desigualdades, dentre outras questões. Divergências a parte (e não são poucas) ele traz um eixo central: as cidades se desenvolvem economicamente a partir de seu capital humano. Traça um paralelo estonteante entre Detroit e Nova york. Detroit a grande cidade de Ford e Detroit que perde milhares de habitantes/ano. Detroit com
Menor escolaridade. Nova York e sua rápida recuperação pós fim da industria têxtil, Nova York que pensa os carros e as roupas do mundo. Pensa. Investe em capital humano. Investe em educação.
Achei realmente bárbaro o pensamento de Glaeser que cidades são palco de conversas/encontros entre pessoas e que a tecnologia se desenvolve em espaços de contato interpessoal. Ou seja, contato humano é vital para o desenvolvimento de tecnologias que dispensam contato humano.
Glaeser está longe de ser um quase guru como jan gehl. Mas tem boas contribuições. Sobretudo no tema do desenvolvimento econômico de cidades.
---------
Segunda-feira assistirei uma palestra dele e serei debatedora. Depois comento aqui.
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Na amazon.com é fácil e nem tão caro comprar o livro dele.
Hoje terminei as extensas 300 páginas de "triumph of the city", do Edward Glaeser. Foi desafiador voltar a ler em inglês, mas esse é o Principal pesquisador de harvard sobre cidades. E eu tento buscar um pouco em cada país, com zero de preconceito.
Polêmico e recheado de informações, Glaeser tem idéias com as quais não concordo. Creio que ele não compreende o papel que o estado pode ter na diminuição das desigualdades, dentre outras questões. Divergências a parte (e não são poucas) ele traz um eixo central: as cidades se desenvolvem economicamente a partir de seu capital humano. Traça um paralelo estonteante entre Detroit e Nova york. Detroit a grande cidade de Ford e Detroit que perde milhares de habitantes/ano. Detroit com
Menor escolaridade. Nova York e sua rápida recuperação pós fim da industria têxtil, Nova York que pensa os carros e as roupas do mundo. Pensa. Investe em capital humano. Investe em educação.
Achei realmente bárbaro o pensamento de Glaeser que cidades são palco de conversas/encontros entre pessoas e que a tecnologia se desenvolve em espaços de contato interpessoal. Ou seja, contato humano é vital para o desenvolvimento de tecnologias que dispensam contato humano.
Glaeser está longe de ser um quase guru como jan gehl. Mas tem boas contribuições. Sobretudo no tema do desenvolvimento econômico de cidades.
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Segunda-feira assistirei uma palestra dele e serei debatedora. Depois comento aqui.
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Na amazon.com é fácil e nem tão caro comprar o livro dele.
Código florestal e a sexta-feira...
Sexta-feira a presidenta Dilma deve anunciar o seu posicionamento sobre o código florestal. Tenho acompanhado de perto - por ser deputada federal - cada momento dessa batalha. Soube hoje que a tendência é que ela faça um veto parcial. É essa posição que julgamos, eu e meu partido, a mais justa e responsável.
O projeto é uma obra complexa, vivemos momentos tensos. Julgo que o texto do senado foi produzido num momento de maior acordo aproveitando debates começados na câmara. Quem está aqui sabe que é assim que funciona: câmara e senado se corrigem, complementam. Por isso votei a favor do texto do senado. Muitos viam o sim no painel e não entendiam que o sim representava sim ao texto equilibrado, aprovado por PCdoB, PT, PMDB, PDT, PTB, PP. Ou seja, um texto mais consensual.Tenho certeza que a presidenta - mulher firme, convicta, estudiosa e defensora do desenvolvimento e da sustentabilidade (e não de um ou outro) tomará a melhor decisão para o Brasil e para o Rio Grande.
*(Abaixo, reproduzo matéria com nosso presidente nacional expondo sua opinião sobre o veto presidencial)
Quinta, 10 de Maio de 2012 às 09h 05Deborah Moreira
O projeto é uma obra complexa, vivemos momentos tensos. Julgo que o texto do senado foi produzido num momento de maior acordo aproveitando debates começados na câmara. Quem está aqui sabe que é assim que funciona: câmara e senado se corrigem, complementam. Por isso votei a favor do texto do senado. Muitos viam o sim no painel e não entendiam que o sim representava sim ao texto equilibrado, aprovado por PCdoB, PT, PMDB, PDT, PTB, PP. Ou seja, um texto mais consensual.Tenho certeza que a presidenta - mulher firme, convicta, estudiosa e defensora do desenvolvimento e da sustentabilidade (e não de um ou outro) tomará a melhor decisão para o Brasil e para o Rio Grande.
----------------Sigo com a mesma preocupação de anos: o código florestal trabalha com poucos temas urbanos. Mesmo a versão do senado. As cidades são as verdadeiras responsáveis pela degradação ambiental. É preciso assumir as responsabilidades e propor soluções.
*(Abaixo, reproduzo matéria com nosso presidente nacional expondo sua opinião sobre o veto presidencial)
Quinta, 10 de Maio de 2012 às 09h 05Deborah Moreira
Da redação do Vermelho
Pelo veto parcial do Código Florestal
O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, defendeu nesta quarta-feira (9) o veto a alguns pontos do Código Florestal, como a exclusão da definição sobre as faixas de áreas de preservação permanente (APPs) a serem recuperadas nas margens dos rios. Rabelo lembra que, antes das alterações propostas pelo relator, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que agradaram aos ruralistas, as diversas forças políticas, incluindo o PCdoB, tinham acordado um texto no Senado.
“O texto do Senado era referência para nós. Ele foi construído sobre o texto original da Câmara e conquistou o apoio de uma maioria.”, ponderou o presidente do PCdoB.
(...)
"Veta Dilma"
O assunto ganhou destaque e vem gerando grandes discussões e até manifestações de diversos setores da sociedade como o “Veta, Dilma”, que vem ganhando adesões. Para o presidente da legenda comunista, é preciso equilibrar desenvolvimento com sustentabilidade, levando em conta as condições reais de quem produz no país.
“Agora, cabe a presidente Dilma avaliar e ponderar o que prejudica o desenvolvimento e a sustentabilidade. Se algo criará problemas de degradação ao meio ambiente é claro que a presidente tem toda a autoridade para interferência”, completou Renato Rabelo.
(...)
terça-feira, 22 de maio de 2012
Deixem a Xuxa falar.
Não sou fã da Xuxa. Não flerto com o sensacionalismo da mídia. Mas fiquei surpreendida com as reações de diversos setores da sociedade à entrevista concedida por ela no Fantástico. Detalhes da vida privada a parte, Xuxa revelou que foi vítima de abuso sexual quando adolescente. E para mim doeu ouvir "até hoje acho que a culpada sou eu".
Alguns duvidaram, disseram que era "golpe de marketing", outros que ela precisava denunciar abusadores e não falar sobre o tema, outros disseram que ela transbordava falsidade no depoimento. Uniu a muitos, entretanto, o sentimento forte de responsabilização da vítima, de julgamento da vítima.
Três ponderações: 1) estive com Xuxa uma única vez, Na ocasião em que eu presidia a Comissão de direitos humanos da Câmara. Lá em Brasília ela emprestava sua visibilidade para a campanha "não bata, eduque". Uma loucura o impacto de seu trabalho nessa área. se mil vezes a tivesse ao lado na luta contra violência, mil vezes agradeceria por dar visibilidade para pauta que a grande mídia desconhece.
Achei irônico que ela aparece o dia todo na TV e não causa reação nenhuma. Na vez que toca em tema tão importante é hostilizada. Hein?
2) para quem atua na área de Direitos humanos a confissão de sentimento de culpa pela violência sofrida é quase um atestado de veracidade. Por que? Porque a sociedade faz com que crianças e mulheres sintam-se responsáveis pelo abuso sofrido. Sedutora, assanhada, jeitinho de p_ _ _, assim dizem. E infelizmente, a repercurssão debochada, irônica de muitos confirmou a tese. Independente da reação da vítima, se teve medo e calou, se gritou, se ... Vítima é vítima!!!
3) falar sobre isso é duro. Não sei as razões de Xuxa. Coragem? Vontade de ajudar a outros? Cansada de esconder a vida? Sei lá. Nem sei assimilar o que a vida dessa mulher. Sei que é muito bom para quem luta contra a exploração de mulheres que ela fale, que a sociedade debata, que se tire da escuridão crianças violentadas dentro de casa. a maior parte dos abusos são idênticos ao dela: dentro de casa, gente conhecida, anos de dor e silêncio, vítima sentindo-se culpada.
Vamos deixar os dogmas/ preconceitos de lado? Xuxa usou o horário mais nobre da Globo para dar luz ao drama de algumas milhares de crianças e mulheres. Eu agradeço.
Deixem a Xuxa falar. Deixem as "xuxas" falar sem serem culpadas por isso.
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O disque 100 recebeu 220 mil ligações depois do depoimento de Xuxa. Ou seja, fez efeito.
Alguns duvidaram, disseram que era "golpe de marketing", outros que ela precisava denunciar abusadores e não falar sobre o tema, outros disseram que ela transbordava falsidade no depoimento. Uniu a muitos, entretanto, o sentimento forte de responsabilização da vítima, de julgamento da vítima.
Três ponderações: 1) estive com Xuxa uma única vez, Na ocasião em que eu presidia a Comissão de direitos humanos da Câmara. Lá em Brasília ela emprestava sua visibilidade para a campanha "não bata, eduque". Uma loucura o impacto de seu trabalho nessa área. se mil vezes a tivesse ao lado na luta contra violência, mil vezes agradeceria por dar visibilidade para pauta que a grande mídia desconhece.
Achei irônico que ela aparece o dia todo na TV e não causa reação nenhuma. Na vez que toca em tema tão importante é hostilizada. Hein?
2) para quem atua na área de Direitos humanos a confissão de sentimento de culpa pela violência sofrida é quase um atestado de veracidade. Por que? Porque a sociedade faz com que crianças e mulheres sintam-se responsáveis pelo abuso sofrido. Sedutora, assanhada, jeitinho de p_ _ _, assim dizem. E infelizmente, a repercurssão debochada, irônica de muitos confirmou a tese. Independente da reação da vítima, se teve medo e calou, se gritou, se ... Vítima é vítima!!!
3) falar sobre isso é duro. Não sei as razões de Xuxa. Coragem? Vontade de ajudar a outros? Cansada de esconder a vida? Sei lá. Nem sei assimilar o que a vida dessa mulher. Sei que é muito bom para quem luta contra a exploração de mulheres que ela fale, que a sociedade debata, que se tire da escuridão crianças violentadas dentro de casa. a maior parte dos abusos são idênticos ao dela: dentro de casa, gente conhecida, anos de dor e silêncio, vítima sentindo-se culpada.
Vamos deixar os dogmas/ preconceitos de lado? Xuxa usou o horário mais nobre da Globo para dar luz ao drama de algumas milhares de crianças e mulheres. Eu agradeço.
Deixem a Xuxa falar. Deixem as "xuxas" falar sem serem culpadas por isso.
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O disque 100 recebeu 220 mil ligações depois do depoimento de Xuxa. Ou seja, fez efeito.
sábado, 19 de maio de 2012
Amor de vó
Para mim a força da vida se faz presente em muitos e diferentes momentos. Hoje estava na vila Planetário e um senhor veio falar comigo. Trabalhava no prédio em que minha avó morava. A minha avó do texto "a saudade mata a gente, morena". Chorei quando ele falou nela.Peguei o celular e olhei a data. Exatos cinco anos da sua morte. E ela sempre dá um jeito de se fazer presente.Eu te amo, vozinha.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
A Comissão da Verdade
Essa semana vivi um momento histórico e que me emocionou muito: a instalação da Comissão da Verdade. Primeiro, pela a emoção da presidenta Dilma, que enfrentou a ditadura, sofreu a violência da época e jamais desistiu da luta pela democracia. Ela emocionou todos nós com seu discurso: mesclou o resgate histórico muito rico com a emoção de quem sobreviveu e hoje ocupa o posto mais importante do país.
Segundo, porque Dilma reconheceu o papel de cada ex-presidente da nossa recente democracia no caminho daquele dia. Ao lado de todos os ex-presidentes vivos, ela destacou os passos de cada um no rumo da consolidação da Comissão. O nosso encontro com a verdade é fruto do trabalho de cada um deles e Dilma demonstrou sua generosidade ao reconhecer isso publicamente.
Terceiro, porque fiquei orgulhosa por fazer parte da Legislatura que ajudou a tornar a Comissão uma realidade e por ter a certeza de estamos caminhando sob a luz da verdade e da transparência.
Alguns perguntam se a Comissão terá resultados ou, ainda, se é revanchismo. Eu acredito que ao permitir o encontro do brasileiro com sua história, estaremos livres de repetir os erros do passado. Acredito, também, que negar ao povo brasileiro o direito de conhecer sua história é compactuar com a injustiça. Mais, os principais objetivos da Comissão são esclarecer casos de graves violações de direitos humanos, em especial os episódios de torturas, mortes, desaparecimentos e a autoria desses crimes, em especial nos anos de chumbo.
A Comissão é, também, o primeiro passo para que seja feita justiça a Vladimir Herzog, Frederico Eduardo Mayr, Rubens Paiva, Osvaldo Costa, aos guerrilheiros do Araguaia e aos milhares de brasileiros anônimos que foram torturados e deram suas vidas lutando pela democracia.
Como disse a presidenta, lembrando Ulisses Guimarães, “a verdade não desaparece quando é eliminada a opinião dos que divergem. A verdade não mereceria este nome se morresse quando censurada”. Que saibamos valorizar esse dia, pois verdade e transparência são parte significativa da consolidação do Estado Democrático.
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Fiquei muito feliz, também, por ter reencontrado o presidente Lula, por poder abraçá-lo e ver que está mais forte. Lula nos mostrou que era possível mudar e deu aos brasileiros a autoestima que precisávamos para mudar o curso da nossa história.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
“Já pesei 100 kg. É claro que o ‘musa do Congresso’ me ofende”
Entrevista da revista Marie Claire comigo, por Letícia González
A deputada Manuela D’Ávila, 30 anos, tinha 22 quando foi eleita vereadora pela primeira vez. Hoje no segundo mandato como deputada federal, ela é pré-candidata a prefeita de Porto Alegre e, caso siga à frente nas pesquisas, será a primeira mulher a assumir o cargo na capital gaúcha – além de a mais jovem. Conversamos com Manuela sobre sua história, política e machismo.
Marie Claire – Em entrevista à Marie Claire, a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet disse que as roupas de uma política chamam mais a atenção do que o que ela fala. Concorda?
Manuela D’Ávila –Totalmente. Nos ambientes de destaque a mulher é muito valorada pelo que ela é fisicamente. Eu me elegi deputada federal com 25 anos e era a única parlamentar jovem a não ter o sobrenome de uma família tradicional na política brasileira. Mas, ao invés desse fato chamar atenção, [fui chamada de] “musa do Congresso”.
MC – O apelido de “musa do Congresso” a incomodou?
MA –O que as pessoas não sabem é que até os meus 17 anos eu fui gorda. Pesei 100 kg. Então aprendi desde cedo que o que está por fora não vale nada e ninguém vai me convencer que eu consigo alguma coisa porque sou bonita ou deixo de conseguir porque sou feia. O “musa do Congresso” era dito de maneira totalmente pejorativa e me incomodou, sim. Tanto quanto me chateava ser chamada de elefoa na escola.
MC – Como emagreceu?
MA – Copiei a dieta de reeducação alimentar da minha irmã e segui. É muito difícil comer menos, mas é a única maneira de fazer isso. Acho um absurdo mulheres saudáveis que precisam perder 40 kg, como eu precisava, optarem por cirurgia bariátrica. É muita irresponsabilidade.
MC – Já deixou a vaidade de lado para se provar séria?
MA – Com 22 anos a gente pensa em morrer pela causa. Depois entende que precisa estar vivo para a causa ser realizada.
MC – O que possibilidade de ser a primeira mulher a assumir a prefeitura de Porto Alegre significa para você?
MA – Na sociedade, as mulheres são empresárias, ocupam cargos de chefia, chegaram a todos os postos. Mas na política ainda não. Sou deputada num congresso que tem 513 deputados e só 42 são mulheres. É um ambiente muito machista e fechado. Na semana passada, um jornalista conhecido disse na rádio que eu deveria ter “algum outro atributo” além da minha capacidade política para seduzir os parlamentares do jeito que eu seduzia. Sabe quantas vezes tive de respirar para não ligar para esse senhor e perguntar exatamente o que ele estava sugerindo? Eu ainda me surpreendo.
MC – O desafio de assumir a prefeitura assusta?
MA – Não. Gosto muito da frase [da escritora Clarice Lispector]: “tenho medos bobos e coragens absurdas”. Eu deixo o meu medo para barata.
MC – Qual é o maior problema feminino hoje? Como uma mulher no poder pode enfrentá-lo?
MA – A violência é o maior deles, em Porto Alegre ou no Afeganistão. No poder, as mulheres têm o sonho do projeto e a sintonia com a vida real.
MC – Qual foi a maior dificuldade de ser eleita tão jovem?
MA – Ficar longe das minhas pessoas quando fui para Brasília. Percebi que não ia ter ninguém para conversar quando chegasse em casa, se ficasse doente ou se quisesse dividir minhas angústias. Telefone não é vida real.
MC – Como sua família reagiu quando você concorreu pela primeira vez?
MA – A minha mãe torcia para que eu fizesse uns 130 votos, o número de amigos que ela calculava que eu tinha. Na primeira campanha, a única faixa com o meu nome foi presente da minha mãe. Me elegi vereadora com 9,5 mil votos.
MC – Sonhava em ser política quando era pequena?
MA – Não, sonhava em veterinária. Depois, queria ser professora.
MC – E em casar e ter filhos?
MA – Sempre sonhei em ter filhos, mas nunca em casar na igreja. Mas vou casar na igreja! Meu namorado (o chefe de gabinete da secretaria de turismo do Rio Grande do Sul e professor de ioga Rodrigo Maroni) me convenceu. Se eu não fosse candidata, nos casaríamos ainda em 2012. Mas agora vai depender do resultado da eleição. Se eu for eleita, adiaremos novamente.
MC – Qual é o seu momento mais mulherzinha?
MA – Me maquiar 100% no carro. Faço isso todos os dias.
MC – Você é filiada ao PCdoB desde o início da sua carreira. Acha que o comunismo funciona?
MA – Acredito no que eu entendo por comunismo, que é a crença de que a sociedade pode ser justa. Se me perguntares se ele já funcionou alguma vez, não preciso nem responder. É não.
MC – Desde 2011, você é vice-líder do governo no Congresso e tem uma postura de apoio amplo. Falta autocrítica?
MA – Consigo diferenciar muito o projeto que eu defendo de pessoas que erram. A presidente Dilma tem um norte, ela segue um projeto, e as pessoas não são maiores do que ele. Os episódios de corrupção têm de ser radicalmente apurados, mas não devem parar o país. Eu tenho críticas, sim. Faço uma crítica permanente há mais de dois anos à ministra da cultura (Ana de Hollanda). Ela tem uma visão de cultura de um tempo que já passou, é elitista.
MC – Como vê a legalização do aborto?
MA – Primeiro de tudo, acho uma grande infelicidade que no Brasil isso seja tratado como um assunto das mulheres. Porque não é. É tema de saúde pública. Tivemos um grande avanço há quinze dias quando foi reconhecido o direito de vida das mulheres (em 12 de abril, o STF decidiu que não é mais crime o aborto de fetos anencéfalos no Brasil). Eu tenho a posição de todas as mulheres do Brasil: ninguém quer fazer um aborto. Mas se ele tem que ser feito, como no caso dos anencéfalos, que ele seja feito com dignidade.
MC – E no caso de ser uma vontade da mulher?
MA – Acho que o Brasil tem que discutir isso. Defendo que as pessoas têm o direito de viver com dignidade e fazer as suas escolhas, mas acho que o Brasil precisa ainda debater muito isso.
sábado, 12 de maio de 2012
Feliz dia das mães
Minha mãe me ensinou a acreditar no amor e na força que ele tem. Minha mãe me ensinou a ver que as pessoas, todas elas, são cheias de virtudes e cheias de defeitos. Foi ela tambem que me ensinou a tolerância e a flexibilidade são as marcas dos fortes de caráter. Os fracos gritam. Os fortes escutam. Minha mãe me ensinou que a vida pode ser reinventada pois ela o fez!
Ela me ensinou que pessoas se comunicam com os olhos. Mas ela consegue ir além: sentir como estamos - nós, os 5 filhos - do outro lado do mundo. Sei lá se é intuição, premonição ou qualquer outro "ão" o nome disso. Sei que existe e que ela tem.
Existe uma única pessoa no mundo que sempre sabe como estou. Sem twitter, email, telefone, olhares ou sinal de fumaça. Minha mãe. Talvez isso aconteça pelo sinal idêntico que temos no peito. Não sei. Sei apenas que a amo muito.
A todas as mulheres que se comunicam de maneira magica com os seus filhos, a todas as mães, saúde e paz.
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Não me lembro de um dia sequer de minha vida adulta em que eu tivesse dúvidas sobre ter filhos. Sempre os desejei. Ocorre que a vida nem sempre nos permite ter tudo e eu abri mão, até hoje, para me dedicar a tentar melhorar primeiro minha cidade (fui vereadora) e depois o país. Talvez muito motivada pela idéia de melhorar, transformar o mundo que meus filhos viverão.
Fato é que esse domingo ainda não é meu dia. Espero que seja um dos últimos...
Ela me ensinou que pessoas se comunicam com os olhos. Mas ela consegue ir além: sentir como estamos - nós, os 5 filhos - do outro lado do mundo. Sei lá se é intuição, premonição ou qualquer outro "ão" o nome disso. Sei que existe e que ela tem.
Existe uma única pessoa no mundo que sempre sabe como estou. Sem twitter, email, telefone, olhares ou sinal de fumaça. Minha mãe. Talvez isso aconteça pelo sinal idêntico que temos no peito. Não sei. Sei apenas que a amo muito.
A todas as mulheres que se comunicam de maneira magica com os seus filhos, a todas as mães, saúde e paz.
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Não me lembro de um dia sequer de minha vida adulta em que eu tivesse dúvidas sobre ter filhos. Sempre os desejei. Ocorre que a vida nem sempre nos permite ter tudo e eu abri mão, até hoje, para me dedicar a tentar melhorar primeiro minha cidade (fui vereadora) e depois o país. Talvez muito motivada pela idéia de melhorar, transformar o mundo que meus filhos viverão.
Fato é que esse domingo ainda não é meu dia. Espero que seja um dos últimos...
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