"especial de bom" + "não toca no nome do gilnei"
Minha irmã mais velha, a Luci,
Namora ao Gilnei desde os 17 anos. Morávamos em Pedro Osório quando eles se conheceram na universidade (UFPEL). Lá se vão mais de vinte anos. Mais de dez de casados. Nosso querido cunhado é quase um irmão para nós. Mas ele nasceu em Dom Pedrito e fala
Muito carregado. Imaginem essas pragas que éramos rindo dele. Um
Horror. Para tudo que ele comia lá em casa vinha um sonorro: "especial de bom". Pronto. Entrou para o caderninho de deboches. Agora de código quando algo é muito legal.
Numa dessas vezes em que debochávamos do "especial de bom" ou de outra expressão, Luciana
Ficou completamente brava e gritava: não toca no nome do Gilnei!
Pronto. Caderno de deboche e código para rirmos quando alguém
Pede Para algo não ser mencionado!
Luciana tem outra história muito engraçada. Eu tinha 9, ela 18.
E eu adorava o namorado dela.
Assim como a Isadora, minha sobrinha de um ano, ama o maroni (meu namorado). Pois bem, Luciana acordou e o quadro em que me ensinava a escrever tinha um coração: "Manuela e Gilnei". Pronto. Ao invés de morrer de rir me deu uma surra! Para eu aprender a não ser assanhada!
Às vezes penso que quem viu me ingênuo coração não tem idéia dos escândalos sentimentais que a Isadora produz com o maroni. Imaginem se eu fosse a Luciana. O que faria com uma criança que não sabe nem falar e que aponta o dedinho para o MEU namorado quando eu pergunto "quem é teu namorado?". Eu teria que gritar muitos: não aponta o dedo para o maroni!
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Códigos de casa 6
"vamos aplicar o teste ou termômetro do humor" +
"educadinha"
Esse meu pai, o estupefato contra farináceos, quase sempre mantém
O bom humor. mas às vezes não tem. Nós o copiamos. Nessas situações, quando ele percebe que alguém não esta muito risonho, ele pega o indicar, simula ser um termômetro e põe embaixo do braço do "paciente". Depois, tira, dá uma olhada e dá um diagnóstico. "humor 7, 1", por exemplo.
Assim surgiu a expressão "vamos fazer o teste do humor". Mas, às vezes, o humor está bem abaixo dos 7. E nessas vezes, nós odiamos o termômetro. E gritávamos ou batíamos no dedo dele. Eis que ele respondia com a voz mais engraçada do mundo: "educadinha". Pronto. Sempre que alguém é grosseiro lembramos do "educadinha" e morremos de rir.
"educadinha"
Esse meu pai, o estupefato contra farináceos, quase sempre mantém
O bom humor. mas às vezes não tem. Nós o copiamos. Nessas situações, quando ele percebe que alguém não esta muito risonho, ele pega o indicar, simula ser um termômetro e põe embaixo do braço do "paciente". Depois, tira, dá uma olhada e dá um diagnóstico. "humor 7, 1", por exemplo.
Assim surgiu a expressão "vamos fazer o teste do humor". Mas, às vezes, o humor está bem abaixo dos 7. E nessas vezes, nós odiamos o termômetro. E gritávamos ou batíamos no dedo dele. Eis que ele respondia com a voz mais engraçada do mundo: "educadinha". Pronto. Sempre que alguém é grosseiro lembramos do "educadinha" e morremos de rir.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Códigos de casa 5
"estou estupefato!" +
"estão proibidos de comer farináceos"
Meu pai - e muitos leitores o conhecem - é das pessoas mais divertidas do mundo. Faz qualquer piada para não perder a graça. Até no enterro de minha avó (dia mais triste de nossas vidas) ele fez piada com meu avô.
Meu avô vive em Jaguarão, na fronteira, e minha avó faleceu em
Porto Alegre. Chegávamos os 3 ao cemitério quando meu avô, atordoado, pergunta se eu havia falado com um padre para encomendar o corpo de minha avó e fazer as orações. Antes que eu pudesse responder, meu pai salta e conta a meu avô que, nos últimos
Anos, de maneira secreta, minha avó estava na umbanda. Portanto, quem viria ali seria um pai de santo. Meu avô quase morreu. Ele é daqueles católicos que passam a
Missa do galo na igreja! Nunca se meteu na fé dos outros, mas daí a enterrar a mãe de seus filhos com pai de santo era demais.
Outra famosa dele é para terminar as aulas na universidade. Pergunta aos alunos: "vocês querem Ir embora? Não agüentam mais a minha aula?" Os alunos respondem que sim. Eis que ele começa a simular tristeza e responde: vocês são uns egoístas. Eu vou embora e vocês se livram de mim. Já eu... Tenho que continuar me agüentando!
Teria mil historias bem Humoradas dele para Contar e mais tarde falarei sobre o código do teste de humor. Mas ele tinha ataques de cansaço quando nós éramos os cinco menores.
A bem da verdade nós éramos muito brigões e barulhentos e, hoje, imagino o estresse que o submetíamos.
De um dia para outro, nesses
Momentos de Muito estresse, ele passou a usar a frase: "estou estupefato". Nós riamos muito pois desconhecíamos a palavra. Então, quando alguém quer rir do estresse ou exaustão alheia usa a expressão ou a palavra: estupefato, estou estupefata! Façam o teste. Digam com a boca cheia. É genial! Perfeita para esses situações.
Lembrei de uma dessas situações em que meu pai ficou estupefato. Íamos para Montevideo passar as férias. E começa aquela briga na Belina velha de guerra. Primeiro briga para sentar na frente. Depois briga para não sentar no meio. Depois briga para não sentar na parte inclinada do meio. Depois para um tirar o braço de cima do outro e de repente... O carro sai da estrada e meu pai grita: estou morrendo! (ou estou infartando! Não lembramos
Bem). Todos nos desesperamos. Um bate nele no braço, a Mariana já choráva emotiva que sempre é. Eis que me Lembro (não riam... Eu tinha uns nove anos) que para alguma coisa de errado que nos acontecia era necessário puxar a língua da pessoa (abstrai que era em Caso de choque). Pedi licença, saltei no colo dele e... Saí puxando a língua. Meu pai começou a rir desesperadamente pois tudo não passava de uma simulação. Ele queria que nós parássemos de brigar, fez aquilo, não sabia como desfazer. Ele ficou estupefato! Não preciso contar que estupafatos ficamos nós que viajamos sem falar com ele.
Ainda numa outra viagem, já éramos um pouco maiores, fomos até Curitiba de Belina. Na volta, meu pai constatou que estávamos gordas (há anos!) e sedentárias. E começou, desesperadamente, a tentar fazer com que caminhássemos mais, comêssemos mais frutas etc. Então, estupefato que ele estava nos proibiu de comer tudo que continha farináceos (bolachas, salgadinhos etc).
Não preciso contar que além de
Estupefato, usamos a expressão (eu e Mari) de proibir os farináceos quando queremos falar de um ato radical, desesperado de alguém.
"estão proibidos de comer farináceos"
Meu pai - e muitos leitores o conhecem - é das pessoas mais divertidas do mundo. Faz qualquer piada para não perder a graça. Até no enterro de minha avó (dia mais triste de nossas vidas) ele fez piada com meu avô.
Meu avô vive em Jaguarão, na fronteira, e minha avó faleceu em
Porto Alegre. Chegávamos os 3 ao cemitério quando meu avô, atordoado, pergunta se eu havia falado com um padre para encomendar o corpo de minha avó e fazer as orações. Antes que eu pudesse responder, meu pai salta e conta a meu avô que, nos últimos
Anos, de maneira secreta, minha avó estava na umbanda. Portanto, quem viria ali seria um pai de santo. Meu avô quase morreu. Ele é daqueles católicos que passam a
Missa do galo na igreja! Nunca se meteu na fé dos outros, mas daí a enterrar a mãe de seus filhos com pai de santo era demais.
Outra famosa dele é para terminar as aulas na universidade. Pergunta aos alunos: "vocês querem Ir embora? Não agüentam mais a minha aula?" Os alunos respondem que sim. Eis que ele começa a simular tristeza e responde: vocês são uns egoístas. Eu vou embora e vocês se livram de mim. Já eu... Tenho que continuar me agüentando!
Teria mil historias bem Humoradas dele para Contar e mais tarde falarei sobre o código do teste de humor. Mas ele tinha ataques de cansaço quando nós éramos os cinco menores.
A bem da verdade nós éramos muito brigões e barulhentos e, hoje, imagino o estresse que o submetíamos.
De um dia para outro, nesses
Momentos de Muito estresse, ele passou a usar a frase: "estou estupefato". Nós riamos muito pois desconhecíamos a palavra. Então, quando alguém quer rir do estresse ou exaustão alheia usa a expressão ou a palavra: estupefato, estou estupefata! Façam o teste. Digam com a boca cheia. É genial! Perfeita para esses situações.
Lembrei de uma dessas situações em que meu pai ficou estupefato. Íamos para Montevideo passar as férias. E começa aquela briga na Belina velha de guerra. Primeiro briga para sentar na frente. Depois briga para não sentar no meio. Depois briga para não sentar na parte inclinada do meio. Depois para um tirar o braço de cima do outro e de repente... O carro sai da estrada e meu pai grita: estou morrendo! (ou estou infartando! Não lembramos
Bem). Todos nos desesperamos. Um bate nele no braço, a Mariana já choráva emotiva que sempre é. Eis que me Lembro (não riam... Eu tinha uns nove anos) que para alguma coisa de errado que nos acontecia era necessário puxar a língua da pessoa (abstrai que era em Caso de choque). Pedi licença, saltei no colo dele e... Saí puxando a língua. Meu pai começou a rir desesperadamente pois tudo não passava de uma simulação. Ele queria que nós parássemos de brigar, fez aquilo, não sabia como desfazer. Ele ficou estupefato! Não preciso contar que estupafatos ficamos nós que viajamos sem falar com ele.
Ainda numa outra viagem, já éramos um pouco maiores, fomos até Curitiba de Belina. Na volta, meu pai constatou que estávamos gordas (há anos!) e sedentárias. E começou, desesperadamente, a tentar fazer com que caminhássemos mais, comêssemos mais frutas etc. Então, estupefato que ele estava nos proibiu de comer tudo que continha farináceos (bolachas, salgadinhos etc).
Não preciso contar que além de
Estupefato, usamos a expressão (eu e Mari) de proibir os farináceos quando queremos falar de um ato radical, desesperado de alguém.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Códigos de casa 4
"desse aí tem mais?"
A Caro - maneira como chamamos Carolina lá em casa - vivia sozinha no apartamento que hoje vem a ser minha casa. Estava no primeiro ano de faculdade ou estudando para o vestibular. Tinha uns vinte anos. Eu tinha meus 14. Nossa irmã Mariana, que vivia com a Caro nesse apartamento, havia fugido para Florianópolis (Viram? Sempre falo que sou a menos rebelde de todas!).
Restamos as duas e meu irmão em Porto Alegre (a Luci - mais velha- vivia em Dom Pedrito). Eu e o Fer, pequenos, ainda morávamos com a mãe.
Minha melhor amiga na escola (a Fê) e eu, decidimos então que nosso QG
seria o famoso apartamento de minha irmã. E ali nos concentrávamos dia sim, dia também para irmos ao Mapa da
Cidade. Ah! Bons tempos de mapa e de mapejo (ato de ir ao mapa, de aproveitar o mapa!)... Bem, começamos a ter (nós três porque a Caro era nossa maior mentora) uma enorme turma de amigos que saiam conosco. Oasis (era parecido com os irmãos) e Gordinho (que na verdade era bastante gordo, Obesidade mesmo) eram dois deles.
Gordinho virou um grude. E sempre nos encontrava para irmos juntos para a festa.
Certa noite estávamos nos arrumando para sair e a Caro fez uns sanduíches (com o tradicional pão de cebola - arght!). Naquela época ela economizava muito, pois dava algumas aulas de inglês e tinha que se manter com aquele dinheiro. Logo, o pacote de pão durava uns 4 dias.
Comemos todos o sanduíche e ela ofereceu outro a todos. Evidente que o fez apenas por educação pois todos já haviam jantado, exceto nós duas. Gordinho aceitou e a Caro fez
Outro e percebeu que o pão havia acabado. Ele enfiou o sanduíche na
Boca com duas enormes mordidas/bocadas e perguntou com a boca ainda Cheia: "desse aí tem mais?!".
Desde então, quando queremos repetir algo indevido (tipo aquela torta ou pastelão já dividido nas exatas fatias dos sentados à mesa), quando queremos uma guloisema na casa do outro ou quando apenas
Queremos repetir por gula, usamos a expressão.
Parece que o Gordinho emagreceu. Não o vemos há anos! Mas a gula dele segue em nossos códigos.
A Caro - maneira como chamamos Carolina lá em casa - vivia sozinha no apartamento que hoje vem a ser minha casa. Estava no primeiro ano de faculdade ou estudando para o vestibular. Tinha uns vinte anos. Eu tinha meus 14. Nossa irmã Mariana, que vivia com a Caro nesse apartamento, havia fugido para Florianópolis (Viram? Sempre falo que sou a menos rebelde de todas!).
Restamos as duas e meu irmão em Porto Alegre (a Luci - mais velha- vivia em Dom Pedrito). Eu e o Fer, pequenos, ainda morávamos com a mãe.
Minha melhor amiga na escola (a Fê) e eu, decidimos então que nosso QG
seria o famoso apartamento de minha irmã. E ali nos concentrávamos dia sim, dia também para irmos ao Mapa da
Cidade. Ah! Bons tempos de mapa e de mapejo (ato de ir ao mapa, de aproveitar o mapa!)... Bem, começamos a ter (nós três porque a Caro era nossa maior mentora) uma enorme turma de amigos que saiam conosco. Oasis (era parecido com os irmãos) e Gordinho (que na verdade era bastante gordo, Obesidade mesmo) eram dois deles.
Gordinho virou um grude. E sempre nos encontrava para irmos juntos para a festa.
Certa noite estávamos nos arrumando para sair e a Caro fez uns sanduíches (com o tradicional pão de cebola - arght!). Naquela época ela economizava muito, pois dava algumas aulas de inglês e tinha que se manter com aquele dinheiro. Logo, o pacote de pão durava uns 4 dias.
Comemos todos o sanduíche e ela ofereceu outro a todos. Evidente que o fez apenas por educação pois todos já haviam jantado, exceto nós duas. Gordinho aceitou e a Caro fez
Outro e percebeu que o pão havia acabado. Ele enfiou o sanduíche na
Boca com duas enormes mordidas/bocadas e perguntou com a boca ainda Cheia: "desse aí tem mais?!".
Desde então, quando queremos repetir algo indevido (tipo aquela torta ou pastelão já dividido nas exatas fatias dos sentados à mesa), quando queremos uma guloisema na casa do outro ou quando apenas
Queremos repetir por gula, usamos a expressão.
Parece que o Gordinho emagreceu. Não o vemos há anos! Mas a gula dele segue em nossos códigos.
Códigos de casa 3
"essa vai para o caderninho de deboches" e "eu tenho medo. Eu não tenho mais dez anos"
Minhas irmãs Carolina e Mariana nunca foram flor que se cheire em
Matéria de seriedade. Amam rir dos outros e com os outros! São, em nossa escadinha de cinco, as duas irmãs mais próximas de idade e, por isso, implicam-se mutuamente. Isso ocorre desde que o mundo é mundo! Se uma tinha a blusa tal, a outra também tinha que ter, se uma recebia atenção da mãe com tal tema, a outra também queria. Isso foi tão longe que ambas tiveram filhos quase juntos!
Mas além de gastarem parte (cada vez menor) de seu tempo implicando uma com a outra, elas riem juntas dos outros. Debocham mesmo. Da boca da minha mãe, da cara de nossa irmã mais velha, do mal humor de meu pai. Riem de tudo. Debocham e tem crises de risos que muitas vezes irritam a todos.
Quando era adolescente, Carolina começou a anotar as coisas ridículas ditas ou feitas pelos outros que motivavam tais ataques de riso. Chamou a isso de "caderninho de deboches". Por exemplo, determinada guria, lá em Pedro Osório, tinha 18 anos e um guri de 15 queria sair com ela. Ela disse: "Eu tenho medo, não tenho mais dez anos". Pronto. Virou um grande deboche (e um código de Família para quando as pessoas são ridículas!).
Até hoje, lá em casa, quando alguém faz algo que julgamos engraçado ou ridículo, dizemos: "essa vai para o caderninho de deboches". O caderno não existe há anos. Mas os deboches... Não param de crescer!
Minhas irmãs Carolina e Mariana nunca foram flor que se cheire em
Matéria de seriedade. Amam rir dos outros e com os outros! São, em nossa escadinha de cinco, as duas irmãs mais próximas de idade e, por isso, implicam-se mutuamente. Isso ocorre desde que o mundo é mundo! Se uma tinha a blusa tal, a outra também tinha que ter, se uma recebia atenção da mãe com tal tema, a outra também queria. Isso foi tão longe que ambas tiveram filhos quase juntos!
Mas além de gastarem parte (cada vez menor) de seu tempo implicando uma com a outra, elas riem juntas dos outros. Debocham mesmo. Da boca da minha mãe, da cara de nossa irmã mais velha, do mal humor de meu pai. Riem de tudo. Debocham e tem crises de risos que muitas vezes irritam a todos.
Quando era adolescente, Carolina começou a anotar as coisas ridículas ditas ou feitas pelos outros que motivavam tais ataques de riso. Chamou a isso de "caderninho de deboches". Por exemplo, determinada guria, lá em Pedro Osório, tinha 18 anos e um guri de 15 queria sair com ela. Ela disse: "Eu tenho medo, não tenho mais dez anos". Pronto. Virou um grande deboche (e um código de Família para quando as pessoas são ridículas!).
Até hoje, lá em casa, quando alguém faz algo que julgamos engraçado ou ridículo, dizemos: "essa vai para o caderninho de deboches". O caderno não existe há anos. Mas os deboches... Não param de crescer!
domingo, 25 de setembro de 2011
Códigos de casa 2
"Juro por Deus..."
Éramos todos muito pequenos, vivíamos em Pedro Osório. Todas éramos (e ainda somos) muito comilonas. Muitas vezes, minha mãe cozinhava no sábado, deixando o almoço de domingo pronto. Naquele domingo teríamos bifes à milanesa, um dos melhores pratos feitos por ela. Imaginem a dificuldade em garantir que nenhum de nós atacássemos a comida antes da hora! Quase impossível!
Na manhã de domingo um dos bifes apareceu mordido na geladeira. E não era qualquer mordida. Eram dentes exatamente iguais aos meus. Imediatamente, minha mãe, aos gritos, me condenou. Afinal, eu era a única dentuça da casa! Eu não havia comido o bife, aliás, nunca fui apaixonada por eles. Logo, fiz o habitual em minha família: "mãe! Juro por Deus que não comi!". Todos riram e indignaram-se pois tinham certeza que eu estava jurando em falso. Logo em seguida, em outra ocasião, fui jurar por Deus e minha irmã respondeu: mataste Deus na vez do bife! Eis que eu digo: então eu juro por ele morto!
Desde então, quando temos que garantir que algo é verdade nos saímos com essa lembrança!
Sobre os bifes? Bem, mais de quinze anos passados, minha irmã Carolina, que naquela ocasião fazia dieta com um caro endocrinologista, admitiu que o mordeu e simulou minha dentição! Para vocês verem o nível de esfomeados que somos lá em casa! Por 15 anos carreguei a culpa de mentir para que ela desse uma mordida no bife de domingo!
Éramos todos muito pequenos, vivíamos em Pedro Osório. Todas éramos (e ainda somos) muito comilonas. Muitas vezes, minha mãe cozinhava no sábado, deixando o almoço de domingo pronto. Naquele domingo teríamos bifes à milanesa, um dos melhores pratos feitos por ela. Imaginem a dificuldade em garantir que nenhum de nós atacássemos a comida antes da hora! Quase impossível!
Na manhã de domingo um dos bifes apareceu mordido na geladeira. E não era qualquer mordida. Eram dentes exatamente iguais aos meus. Imediatamente, minha mãe, aos gritos, me condenou. Afinal, eu era a única dentuça da casa! Eu não havia comido o bife, aliás, nunca fui apaixonada por eles. Logo, fiz o habitual em minha família: "mãe! Juro por Deus que não comi!". Todos riram e indignaram-se pois tinham certeza que eu estava jurando em falso. Logo em seguida, em outra ocasião, fui jurar por Deus e minha irmã respondeu: mataste Deus na vez do bife! Eis que eu digo: então eu juro por ele morto!
Desde então, quando temos que garantir que algo é verdade nos saímos com essa lembrança!
Sobre os bifes? Bem, mais de quinze anos passados, minha irmã Carolina, que naquela ocasião fazia dieta com um caro endocrinologista, admitiu que o mordeu e simulou minha dentição! Para vocês verem o nível de esfomeados que somos lá em casa! Por 15 anos carreguei a culpa de mentir para que ela desse uma mordida no bife de domingo!
Códigos de casa 1
"pior que isso só se os pirata nos atacar"
Minha mãe exercia a magistratura em Rio Grande. Como de costume, naquela época, durante um dia da semana era também juíza substituta em outro município. São José do Norte era a cidade da vez.
Essa pequena cidade acolhedora e muito bonitinha é separada de Rio Grande pelas águas! Ou seja, para chegar até lá é necessário tomar um barco. Os barcos são antigos, balançam muito e provocam enjôos.
Era dia de temporal. Os ventos do oceano e da lagoa dos patos faziam com que o balanço do barco quase encostasse suas laterais na água. Eis que aproxima-se de minha mãe um advogado. Minha mãe, que jura por Deus Morto que estava super tranqüila (outro código a ser contado) imagina que ele chega para acalma-la, já que cinco filhos ainda pequenos a aguardam em casa. Não. Desesperado de medo, quase chorando, o advogado agarra o braço dela e grita: "Dra! Pior que isso só se os pirata nós atacar!".
Desde então, sempre a coisa está braba, usamos a expressão. É uma forma de garantir o bom humor mesmo quando o barco está quase virando!
Minha mãe exercia a magistratura em Rio Grande. Como de costume, naquela época, durante um dia da semana era também juíza substituta em outro município. São José do Norte era a cidade da vez.
Essa pequena cidade acolhedora e muito bonitinha é separada de Rio Grande pelas águas! Ou seja, para chegar até lá é necessário tomar um barco. Os barcos são antigos, balançam muito e provocam enjôos.
Era dia de temporal. Os ventos do oceano e da lagoa dos patos faziam com que o balanço do barco quase encostasse suas laterais na água. Eis que aproxima-se de minha mãe um advogado. Minha mãe, que jura por Deus Morto que estava super tranqüila (outro código a ser contado) imagina que ele chega para acalma-la, já que cinco filhos ainda pequenos a aguardam em casa. Não. Desesperado de medo, quase chorando, o advogado agarra o braço dela e grita: "Dra! Pior que isso só se os pirata nós atacar!".
Desde então, sempre a coisa está braba, usamos a expressão. É uma forma de garantir o bom humor mesmo quando o barco está quase virando!
Dica de leitura
Leve e lindo. "códigos de família", de Zélia Gattai, é daqueles livros gostosos que passam pela rotina dos Gattai Amado, por casos engraçados envolvendo grandes artistas e intelectuais.
Nossa! Me deliciei recordando códigos meus e de minha enorme, confusa e divertida família. Quando Flavinha me presenteou no aniversário, sugeriu que ele serviria como inspiração para que eu contasse os causos dos Pinto Vieira + d'Avila + Vellinho. Acabei lista to alguns. Espero começar a contar.
Leiam, divirtam-se e, depois, inspirem-se em compartilhar conosco!
Nossa! Me deliciei recordando códigos meus e de minha enorme, confusa e divertida família. Quando Flavinha me presenteou no aniversário, sugeriu que ele serviria como inspiração para que eu contasse os causos dos Pinto Vieira + d'Avila + Vellinho. Acabei lista to alguns. Espero começar a contar.
Leiam, divirtam-se e, depois, inspirem-se em compartilhar conosco!
sábado, 24 de setembro de 2011
Dica de leitura
É difícil dizer que determinado livro me deixou frustrada. Mas "A elegância do ouriço", de Muriel Barbery, fez com que eu me sentisse assim. É um bom livro. Mas a construção dos personagens é muito superior ao enredo. Os personagens são sedutores. Engraçado pois 200 das 300 páginas parecem versar sobre o mesmo tempo. Então, chegam as ultimas 100. E são ótimas!
Esquisito!
Esquisito!
Volta para casa
Dia de voltar para casa. 14 horas até os EUA, mais 9 horas até São Paulo, mais 1h30 até Porto Alegre. Tudo isso com fila de raio X, passaporte, imigração etc. É exaustivo. Mas valeu a pena.
Foi um choque de mundo, digamos assim. Com um mundo que muda cada vez mais, e que chineses e indianos ganham protagonismo cada vez maior, entender o que eles pensam, como formulam seus pensamentos é central para as relações do Brasil.
A construção de uma agenda comum de DH, passa pela compreensão de como as grandes nações formulam sua pauta.
---------------
De volta ao trabalho no Brasil
Chego domingo pela noite e na segunda cedo acontecerá algo bem importante para a Comissão de DH. Daremos início ao nosso ciclo de debates em parceria com a CUFA sobre DH, juventude e desenvolvimento.
Faremos 5 etapas. Porto Alegre, Fortaleza, Manaus, Rio e Brasília. Os temas serão Território (questão urbana e rural), Educação, saúde, trabalho, respectivamente. O ultimo, em Brasília, será um fechamento.
Participarão especialistas, entidades, ministros. Todos estão convidados.
Beijos. devo voltar por aqui com muitos livros lidos... Restam 3 pequenos dos 5 que trouxe...
Foi um choque de mundo, digamos assim. Com um mundo que muda cada vez mais, e que chineses e indianos ganham protagonismo cada vez maior, entender o que eles pensam, como formulam seus pensamentos é central para as relações do Brasil.
A construção de uma agenda comum de DH, passa pela compreensão de como as grandes nações formulam sua pauta.
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De volta ao trabalho no Brasil
Chego domingo pela noite e na segunda cedo acontecerá algo bem importante para a Comissão de DH. Daremos início ao nosso ciclo de debates em parceria com a CUFA sobre DH, juventude e desenvolvimento.
Faremos 5 etapas. Porto Alegre, Fortaleza, Manaus, Rio e Brasília. Os temas serão Território (questão urbana e rural), Educação, saúde, trabalho, respectivamente. O ultimo, em Brasília, será um fechamento.
Participarão especialistas, entidades, ministros. Todos estão convidados.
Beijos. devo voltar por aqui com muitos livros lidos... Restam 3 pequenos dos 5 que trouxe...
Últimas da China
Tentei passar para vocês (apesar da dificuldade de escrever no celular e estar sem internet) um pouco daquilo que vi na China. Percebi um esforço grande deles em debater direitos humanos, em ultrapassar as barreiras que contrapõem aos ESC (econômicos, sociais e culturais) dos CP (civis e políticos). Percebo também esse esforço nas representações sociais da Europa. Essas mantém a antiga tradição de reconhecer aquilo que seus governos vem, aos poucos, negando: é preciso perceber o ser humano na sua integralidade de direitos e reconhecer a diversidade como algo a ser respeitado e não combatido. A maravilha da humanidade está justo na sua diversidade.
Os chineses usam bastante a expressão "ponte". A utilizam para expressar as posições intermediárias, oriundas do diálogo, da construção coletiva. Saio daqui com a convicção renovada de que o Brasil e os países latinos tem todas a potencialidade de ser essa ponte entre os orientais e o norte do ocidente. Sabemos o que significa cada uma das cinco dimensões dos DH. Sabemos que economia, sociedade e cultura precisam de desenvolver para que vivamos com dignidade. Mas também sabemos, após 25 anos do fim da ditadura militar, o quanto a participação política da sociedade em sua diversidade pode contribuir com esse desenvolvimento. Somos a sociedade que luta para desenvolver os DH em sua plenitude. E que precisa avançar - eu sei bem disso - em todas as dimensões.
Ser ponte é sempre melhor do que ser o senhor da guerra. Fico sempre feliz em ser brasileira.
Os chineses usam bastante a expressão "ponte". A utilizam para expressar as posições intermediárias, oriundas do diálogo, da construção coletiva. Saio daqui com a convicção renovada de que o Brasil e os países latinos tem todas a potencialidade de ser essa ponte entre os orientais e o norte do ocidente. Sabemos o que significa cada uma das cinco dimensões dos DH. Sabemos que economia, sociedade e cultura precisam de desenvolver para que vivamos com dignidade. Mas também sabemos, após 25 anos do fim da ditadura militar, o quanto a participação política da sociedade em sua diversidade pode contribuir com esse desenvolvimento. Somos a sociedade que luta para desenvolver os DH em sua plenitude. E que precisa avançar - eu sei bem disso - em todas as dimensões.
Ser ponte é sempre melhor do que ser o senhor da guerra. Fico sempre feliz em ser brasileira.
Um pouco mais da China
Ela é uma jovem chinesa comum. Estuda, não trabalha para o governo, filha única. Passou um tempo na Europa e ficou chocada com a falta de informação dos europeus sobre o seu país: "eles me perguntavam se eu ainda tenho que subir montanhas para ir à escola".
Pela maneira como descreveu acredito que tenha sentido como nós, brasileiros, nos sentimos quando crêem que vivemos na selva e que todas as mulheres são prostitutas no Brasil. Reclamou da visão de DH dos europeus: "eles nem imaginam o que é um povo morrer de fome aos milhares. Só sabem que os chineses fazem aborto de filhas mulheres, que é algo bem antigo (não é muito comum mais). Mas não questionam aos países e aos EUA que também tem aborto legalizado. Questionam o limite de filhos (agora os filhos únicos podem ter dois filhos, assim como as minorias étnicas sempre puderam e os demais podem -desde que paguem uma multa por isso, algo como um imposto). Não sabem que não temos previdência e que o limite de filhos tem relação, além da miséria, com a manutenção dos pais quando estejam velhos. Um casal poderia sustentar 4 mais a criança! Ou seja, não sabem que respeitamos aos nossos velhos. Não sabem nada. Lêem o que dizem os jornais dos EUA e simplesmente copiam." Ela não ficou impressionada pela crítica, apenas. Mas pela agressividade e desconhecimeto. Pela radicalidade incoerente (o aborto nos EUA é direito da mulher, na China um absurdo). Na China perguntam se trabalhadores tem férias, nos EUA não existem direitos trabalhistas tambem.
Evidente que ela tem muitas críticas ao seu país. Acha o povo pouco criativo e muito competitivo. Acha uma droga as restrições ao uso da internet (o que eu, particularmente, para além de achar absurdo, acho insustentável. Não há como garantir que um povo esteja conectado ao mundo dos negócios, da educação, como eles estão, sem estarem conectados a maneira como nos comunicamos nesses dias. Acho bem atrasadas as medidas que proíbem uso de face, twitter, por exemplo. Além disso, como bem sabemos, basta hospedar em outro endereço e eles usam... Aos montes!). Ela acha que os jovens chineses são alienados. Eu pergunto se ela não percebe que em todo mundo existem jovens como ela, que questionam muito e outros tantos que simplesmente seguem a fila, tocam a vida no mesmo caminho que todos os outros. Ela se põe a refletir.
Ao fim concluo: ela é uma jovem. É chinesa, é verdade. Mas é apenas uma jovem. Com críticas a tudo o que está errado em seu país mas com um amor tremendo a tudo o que seu povo já conseguiu produzir. Que conseguiu ver, de perto quando estudou na Europa, que embora mais de 500 anos tenham passado desde a grande época das navegações, os ocidentais continuam acreditando que logo ali o globo terrestre acaba. Que é quadrado e que monstros (seriam os dragões, no passado?) esperam aos navegadores. Mudaram apenas o nome do monstro. Agora, é a China e sua cultura.
Pela maneira como descreveu acredito que tenha sentido como nós, brasileiros, nos sentimos quando crêem que vivemos na selva e que todas as mulheres são prostitutas no Brasil. Reclamou da visão de DH dos europeus: "eles nem imaginam o que é um povo morrer de fome aos milhares. Só sabem que os chineses fazem aborto de filhas mulheres, que é algo bem antigo (não é muito comum mais). Mas não questionam aos países e aos EUA que também tem aborto legalizado. Questionam o limite de filhos (agora os filhos únicos podem ter dois filhos, assim como as minorias étnicas sempre puderam e os demais podem -desde que paguem uma multa por isso, algo como um imposto). Não sabem que não temos previdência e que o limite de filhos tem relação, além da miséria, com a manutenção dos pais quando estejam velhos. Um casal poderia sustentar 4 mais a criança! Ou seja, não sabem que respeitamos aos nossos velhos. Não sabem nada. Lêem o que dizem os jornais dos EUA e simplesmente copiam." Ela não ficou impressionada pela crítica, apenas. Mas pela agressividade e desconhecimeto. Pela radicalidade incoerente (o aborto nos EUA é direito da mulher, na China um absurdo). Na China perguntam se trabalhadores tem férias, nos EUA não existem direitos trabalhistas tambem.
Evidente que ela tem muitas críticas ao seu país. Acha o povo pouco criativo e muito competitivo. Acha uma droga as restrições ao uso da internet (o que eu, particularmente, para além de achar absurdo, acho insustentável. Não há como garantir que um povo esteja conectado ao mundo dos negócios, da educação, como eles estão, sem estarem conectados a maneira como nos comunicamos nesses dias. Acho bem atrasadas as medidas que proíbem uso de face, twitter, por exemplo. Além disso, como bem sabemos, basta hospedar em outro endereço e eles usam... Aos montes!). Ela acha que os jovens chineses são alienados. Eu pergunto se ela não percebe que em todo mundo existem jovens como ela, que questionam muito e outros tantos que simplesmente seguem a fila, tocam a vida no mesmo caminho que todos os outros. Ela se põe a refletir.
Ao fim concluo: ela é uma jovem. É chinesa, é verdade. Mas é apenas uma jovem. Com críticas a tudo o que está errado em seu país mas com um amor tremendo a tudo o que seu povo já conseguiu produzir. Que conseguiu ver, de perto quando estudou na Europa, que embora mais de 500 anos tenham passado desde a grande época das navegações, os ocidentais continuam acreditando que logo ali o globo terrestre acaba. Que é quadrado e que monstros (seriam os dragões, no passado?) esperam aos navegadores. Mudaram apenas o nome do monstro. Agora, é a China e sua cultura.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Mídia e DH
O Grande momento em minha avaliação acaba de acontecer. Kolbl, professor da Universidade de Lausanne (Alemanha) fez uma apresentação sobre mídia e DH, comparando o tratamento ao tema China e DH no New York Times (EUA), The Independent (Inglaterra) e Liberation (França). Trabalhou com cem artigos de cada um, depois dos jogos olímpicos de 2008. E usou o conceito da ONU de DH.
Os números surpreendem. Dos artigos, quase a totalidade trabalha DH como algo apenas vinculado aos direitos políticos (NYT 73%, TI 69 e Lib 65%). já sobre os direitos econômicos, sociais e culturais (ESC) apenas 9, 5 e 10, respectivamente. Ou seja, saúde, educação, moradia... Não são para os jornais matéria dos DH. O tema dos ESC aparece apenas nos desastres naturais.
Outra informação que difere Europa dos EUA. Quem define o que são DH para cada jornal. Nos EUA, 68% dos artigos são baseados em informações de ONGS. Na Europa esse número é inferior a 30% e o Estado passa ser central na conceituação de DH.
Outra informação muito interessante: qual o principal país debatido nesses artigos? No jornal americano é sempre a China. O próprio país vem em 5o lugar! Nos dois jornais europeus o próprio país é tema prioritário de debate. A China vem depois. Ou seja, cuidam mais de si do que dos outros, lição ensinada pelos nossos pais quando somos ainda crianças!
Acho muito revelador tambem que apenas 1% dos jornalistas usam como critério a declaração universal de DH, usam conceitos seus, distantes inclusive, segundo a pesquisa, dos anseios do povo de seus países (os americanos preocupados com saúde, por exemplo, e os jornais trabalhando com a China!). Achei legal ele abordar que no Brasil os temas mais tratados são educação e saúde, respectivamente.
Kolbl apresentou uma síntese histórica bem reveladora sobre DH e ciclos históricos dos países. Na década de 50, a China tentava garantir os ESC. A Europa saia da II Guerra Mundial. Decorre disso, dos abusos do nazismo, a corte européia de DH tão forte, lutando para mediar a violência de Estado. Nos EUA, no mesmo período, se lutava contra o comunismo. Logo, DH, sempre foi pretexto para a guerra. Naquele momento a guerra fria.
É péssimo contar para vocês escrevendo pelo celular... Mas é o que consigo!
Os números surpreendem. Dos artigos, quase a totalidade trabalha DH como algo apenas vinculado aos direitos políticos (NYT 73%, TI 69 e Lib 65%). já sobre os direitos econômicos, sociais e culturais (ESC) apenas 9, 5 e 10, respectivamente. Ou seja, saúde, educação, moradia... Não são para os jornais matéria dos DH. O tema dos ESC aparece apenas nos desastres naturais.
Outra informação que difere Europa dos EUA. Quem define o que são DH para cada jornal. Nos EUA, 68% dos artigos são baseados em informações de ONGS. Na Europa esse número é inferior a 30% e o Estado passa ser central na conceituação de DH.
Outra informação muito interessante: qual o principal país debatido nesses artigos? No jornal americano é sempre a China. O próprio país vem em 5o lugar! Nos dois jornais europeus o próprio país é tema prioritário de debate. A China vem depois. Ou seja, cuidam mais de si do que dos outros, lição ensinada pelos nossos pais quando somos ainda crianças!
Acho muito revelador tambem que apenas 1% dos jornalistas usam como critério a declaração universal de DH, usam conceitos seus, distantes inclusive, segundo a pesquisa, dos anseios do povo de seus países (os americanos preocupados com saúde, por exemplo, e os jornais trabalhando com a China!). Achei legal ele abordar que no Brasil os temas mais tratados são educação e saúde, respectivamente.
Kolbl apresentou uma síntese histórica bem reveladora sobre DH e ciclos históricos dos países. Na década de 50, a China tentava garantir os ESC. A Europa saia da II Guerra Mundial. Decorre disso, dos abusos do nazismo, a corte européia de DH tão forte, lutando para mediar a violência de Estado. Nos EUA, no mesmo período, se lutava contra o comunismo. Logo, DH, sempre foi pretexto para a guerra. Naquele momento a guerra fria.
É péssimo contar para vocês escrevendo pelo celular... Mas é o que consigo!
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Dilma na ONU
Com orgulho assisti e li ao discurso da presidenta Dilma. Orgulho de termos eleito uma mulher - e por isso ela estar ali; orgulho de estarmos de cabeça erguida diante da grave crise que o mundo vive; orgulho por termos erguido alto a bandeira contra a violação de DH de populações civis (recado corajoso aos amantes da guerra); orgulho de ter visto nossa presidenta defender o ingresso da Palestina na ONU.
Grande momento para mim que nasci mulher e brasileira, como ela.
Grande momento para nós que acreditamos num mundo com paz!
Grande momento para mim que nasci mulher e brasileira, como ela.
Grande momento para nós que acreditamos num mundo com paz!
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