sábado, 26 de março de 2011

Cidade da minha vida: Parabéns!


Era um tempo em que aquele nome apenas constava nos trabalhos escolares para responder a tradicional pergunta sobre "cidade em que nasceu". Depois um sentimento contraditório de não pertencimento. Ou de um pertencimento múltiplo. Como se fosse possível pertencer a tantas cidades quantas eu percorria com meus irmãos, meus brinquedos, meus animais de estimação. Os espaços físicos caracterizavam a cidade para mim. A casa dos meus avós, os restaurantes, o verde das árvores e um trambolho enorme chamado shopping.
Alguns poucos anos mais tarde o símbolo passou a ser a ponte e a convivência mais sistemática. Cada vez que eu observava os edifícios e a rodoviária, sabia que era daqui e que não era correto eu não me sentir parte da cidade que me gerou. A cidade Que garantiu o estudo e o encontro de meus pais. Mais do que isso: a cidade que estava presa por seu lago e que nos permitia a liberdade, ao cruzar a ponte do Guaiba.
Com 14 anos o retorno definitivo. Os ônibus, o medo, o apartamento que aprisionava a menina criada correndo solta, o verde. O rio. As pessoas. A minha cidade. A cidade descrita de maneira tão sensível por Quintana. Eu crescia, olhava, sentia essa cidade como
Meu próprio corpo.
Nos últimos quinze anos vivi a cidade da educação, das bandas de um rock único, das linhas de ônibus transversais, da participação política. Vivi a cidade da primavera florida e da chuva gostosa do outono. Dos calores infernais e de frios descomunais. Das compras no mercado público, da pipoca da nona no brick. Vivi a cidade da carne bem assada e da feira ecológica, do Bom Fim e do nosso Rubem Berta. Do rio que é lago. Dos jovens e dos idosos.
Descobri minha Porto Alegre e ela me descobriu. Foram tantas indas e
Vindas (pela BR 116), tantas vezes a ponte cruzada e a pergunta respondida... Foram tantas que um dia Porto Alegre me aceitou como sua filha e eu a senti como mãe. A filha que saiu de casa aos 2, por escolhas não suas, e voltou aos 14.
Hoje me sinto alguém privilegiado. Eu sou daqui. Mas carrego uma paixão pela cidade equivalente aos que a adotaram como mãe! Eu a escolhi!
Feliz aniversario cidade dos meus sonhos e da minha vida!

1 comentários:

Rodrigo Moraes disse...

E aí Manuela, "beleza"?

Tu sabes que Porto Alegre foi batizada para ser nostálgica? É, digo isso pois desde José Marcelino Figueiredo, o Sepúlveda, aquele militar encrenqueiro que aqui escolheu o Porto dos Dorneles para ser capital do nosso Estado, que nossa cidade tem esse poder. (Sepúlveda escolheu o nome de Porto Alegre em saudade de sua terra natal, Portalegre, assim mesmo, junta, em Portugal)

O referido é verdade e dou fé pois vivi fora por alguns anos, e me senti preso a esta cidade. A cidade da vó, a Redenção, o Gasômetro, o nosso Pôr-do-Sol... quanta saudade.

Hoje voltei a residir em solo portoalegrense, e desde então, 26 de março, é meu aniversário também (mesmo um escorpiano de 14/11).

Te convido para um mate, á distância mesmo. Coisas daqui...

Abraço. E boa peleia!