sábado, 27 de fevereiro de 2010

Estado de choque

Não, eu não era amiga dele. O conhecia há muitos anos por ser pai de uma colega de escola. Depois, convivemos politicamente. Sempre recordo de uma vez que entrei na Prefeitura (ele exercendo o cargo de prefeito), junto com dez médicos graduados em Cuba, e ele exclamou com a voz alta que era sua marca: estou te recebendo porque recebo aqui até quem não quero. Assim era Eliseu Santos e minha relação com ele. Assim era o homem que foi brutalmente assassinado na frente da Igreja com muitos tiros, na frente da mulher e da filha pequena.
Desde que recebi a notícia entrei em estado de choque. Para além de ser sempre horrível e triste ver alguém que conhecemos morrer, a situação de sua morte me causou uma profunda angústia. Não aprendi a lidar com a violência. Na verdade, nem sei se quero aprender. A possibilidade dele ter sido executado em razão das denúncias na área da saúde em Porto Alegre me enoja. A mera naturalização da possibilidade me traz questões muito fortes, um aperto no estômago ao pensar que mundo é esse que foi construído na política, que alguns construiram. Que mundo é esse em que aquilo que deveria ser feito por todos para melhorar o mundo gera morte e não vida? A política não é isso, não pode ser isso, não deve ser isso.
Sei que pode ter sido um assalto. Mas isso também dá nojo. O carro vale uma vida?
Que todos fiquem em paz. Eu fico com esse nó na garganta. A sensação de que tudo está de cabeça para baixo.

3 comentários:

João Paulo M. disse...

No caso de assalto, o fato de o secretário Eliseu Santos ter recebido ameaças de morte por causa das denúncias na área da saúde de Porto Alegre foi o que o levou a andar armado e, com certeza, ter reagido daquela forma. É lamentável saber que uma pessoa foi assassinada na frente da família e mais lamentável ainda é saber que a situação da Segurança Pública no Rio Grande não anda do jeito que os gaúchos gostariam e merecem...

Anônimo disse...

deputada,

O que é pauta em um assunto dessa relevância porque muito triste? Pauta significaria ter que comparecer ao velório? O querer bem é que justifica o comparecimento ao velório. Nada mais!
agora o que impressiona é a falta de segurança pública na cidade de Porto Alegre.Lute por isso e mostre ao povo que nada é feito nesse sentido.

Tainá disse...

"sensação de que tudo está de cabeça para baixo". Eu dirira que tudo realmente está de cabeça pra baixo! Gente matando deliberadamente, gente inocente morrendo, gente morrendo de fome, gente morrendo de depressão, gente colocando mais gente no mundo sem eiras nem beiras, gente que sabe criticar e não mexe uma palha para ajudar, gente q destroi a natureza sem saber q é autodestruição, gente q se acha gente pq usa Armani, gente que rotula gente, gente q tem preconceito, enfim, gente q mata a gente. Eu tenho esperança de mudança. Só me pergunto diariamente, qual a solução?