quinta-feira, 18 de março de 2010

"Te conheço do Coreto"


Com essa frase um jovem me saudou no Centro de tratamento de dependentes químicos no Hospital Vila Nova, hoje, em Porto Alegre. Coreto é um local feito para ser alegre como este da foto acima. Nós nos encontramos no Coreto num dia em que eu entregava algum panfleto.

Fiquei imaginando quantas mães internam seus filhos, quantos filhos acham que, alegremente, vão apenas tocar violão e experimentar a maldita pedra do crack e acabam ali, assim, internados. O guri que me disse era muito jovem e muito bonito, com uma imensa tesoura tatuada no braço. Se pudesse cortar de sua vida o dia em que decidiu que experimentaria, o dia em que se achou mais forte que a média e pensou: "não, comigo vai ser diferente, eu sou forte e não tenho porque ser um viciado", se pudesse cortar de sua vida a internação o sofrimento dos pais, será que cortaria? Acho que sim. O que mais será cruzou sua vida no Coreto?

Também imaginei a vida do jovem de 16 anos internado na UTI em função do HIV. Será que ele também acreditou que era imune ao vírus, que tinha algo especial que o manteria longe da AIDS? Será que ele também achou que a gravidez era o pior problema?

São centenas de jovens que não tem consciência de que todos somos iguais. Igualmente fortes para mudar o mundo, para acreditar, para lutar, para construirmos uma vida. Igualmente frágeis na possibilidade de nos tornarmos dependentes, de sermos HIV positivo, de nos acidentarmos num carro.

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Hoje cheguei em Porto Alegre para uma série de compromissos. Dentre eles a visita a nova unidade do Hospital Vila Nova.
Amanhã, pela madrugada, pego a estrada para o litoral para terminar o roteiro que iria fazer na semana passada e que a doença me impossibilitou.

2 comentários:

alesandras disse...

Lendo os seus textos penso que o seu trabalho é muito interessante e o meu muito monótono, rs. Poder conviver com os problemas de forma concreta e criar meios p/ resolvê-los ou pelo menos diminuí-los. Tenho acompanhado o blog e muitas idéias surgem lendo os seus "relatos", e entendo como você consegue recarregar as baterias.

Anônimo disse...

Minha filha. Que lindo! Tentetei ligar. beijos Papi