quinta-feira, 5 de maio de 2011

A união homoafetiva, o STF e o blazer

Ontem começou o julgamento no STF sobre a união homoafetiva. Ouvi o voto de Ayres Britto feliz. Carrego a sensação de quem não entende (racional e emocionalmente) como alguém pode se achar no direito de decidir quem pode ou não pode amar e ser amado. Quem perde com o amor dos outros? O que interfere na vida de um heterossexual permitir a um casal homossexual partilhar legalmente as suas coisas? Hoje teremos a continuidade desse julgamento. Tenho uma esperança gigantesca que o STF interprete a lei da forma que eu interpreto, permitindo a união civil entre pessoas do mesmo sexo.
Vi o julgamento aqui do gabinete, pela TV. Passei a manhã em BH palestrando sobre “tecnologias da informação e políticas públicas” num encontro fantástico da Associação Mineira de Municípios. Aqui na Câmara estavam acontecendo negociações sobre o relatório do novo código florestal.
Tentei ir ao STF e não consegui entrar por estar sem blazer – muitos de vocês leram isso na imprensa. Fico chocada com esse tipo de regra por vários motivos. O primeiro deles e principal é que uma instituição que tem o papel de assegurar a justiça ao País não poderia negar acesso a nenhuma pessoa. O segundo motivo é um Poder (o judiciário) impor regras a membros de outro poder (o legislativo). Imaginem se a Câmara fizesse isso com algum Ministro do STF! Escândalo! O terceiro deles a invenção de que o traje formal das mulheres é com blazer! Meu deus. Eu estava de vestido, salto, meia calça . Um traje de fato formal. Não entendem nada de formalidade. Não pode ser casaco. Tem que ser blazer. Ou seja, casaco de manga longa sem o corte de um blazer, não. Camiseta, calça e blazer, sim. Sem sentido algum. Não é o traje formal. É o blazer!!!!
Mas o blazer é o de menos. Minha seriedade nem a de ninguém é medida pela roupa. Espero que um dia quem tem o papel de zelar pela justiça também compreenda isso.
Agora, milhares de brasileiros vestem o blazer e gritam: senhores ministros qualquer maneira de amar vale a pena!

6 comentários:

GIUGLIANO MEDEIROS disse...

O mais interessante é que o Judiciário deveria ser o mais democrático dos poderes. Acessível a todos. Estagiários de Direito para assistirem audiências em Tribunais, necessitam de terno e gravata. Alguns têm condições, e os demais? como poderão atender às exigências das Universidades de horas de audiências? O Brasil não aprendeu que o que importa é o conteúdo, e não a forma.

Cleber Gomes disse...

É necessária uma reforma urgente no Judiciário, eles parecem viver ainda no século 19, uma das coisas que atrapalha muito o desenvolvimento do Brasil, é a Justiça, que é antiquada, lenta, corrupta e elitista! Precisamos de uma Justiça, simples, rápida, eficiênte e igual para todos os cidadãos!!!

Aldecy disse...

aiii essas besteiras me irritam sabia?? Eles deveriam se preocupar com as coisas mais importantes!!bjs menina

IPM Andradas disse...

Estive em sua palestra no congresso em BH e me tornei sua fã como mulher, política séria e comprometida com o público. Sou mineira e não voto em vc. Ideologias partidárias à parte, confesso q adorei ouvir vc. Trouxe até uma foto ao seu lado... Qto ao uso do blazer, importante entender q a Justiça é um dos poderes que menos se moderniza em todas as áreas... Faltam cabeças novas e renovadas lá, assim como está acontecendo no Congresso e nas esferas estaduais e municipais. Parabéns! Vc me surpreendeu...

Valmei disse...

Participei de sua palestra em BH. Mesmo sem blazer, você deu um show de conhecimento, de incentivo e inspiração para uma nova postura política aqui em nosso Estado.

Anônimo disse...

Poxa vida, e não apareceu uma alma boa para emprestar um blazer para essa mulher!