Sou fruto da fusão de dois "A"s e dois "L"s. Uma Ana Lúcia, um Alfredo Luis. Nasci num dia engraçado. 18.8.81, às 7h18. Aqueles que acreditam em numerologia acham graça que a data é igual de trás para frente. Cresci no interior do estado, correndo pelas ruas, tomando banho de rio, criando algumas cadelas e muitas galinhas, cuidando das árvores. Somos cinco irmãos. Consigo a proeza de ser a filha mais nova e a filha mais velha, ao mesmo tempo. Não me perguntem como. Dá trabalho demais explicar a minha família. Essa família é tudo o que sou. Eu sou todos os seus problemas e todas as suas soluções. Milito desde os dezessete anos de idade no mesmo Partido. Fui educada acreditando que é possível conquistar qualquer coisa, por uma mãe que ama o violão e a magistratura e um pai que para nas estradas para recolher amostras de solo, para o laboratório da universidade pública em que dá aulas. Se é possível conquistar qualquer coisa também é possível ajudar a mudar o mundo. Assim cresci, por isso militei, por isso sigo militando. Porque sigo acreditando. Acredito no mundo e na capacidade do ser humano de contruir um futuro melhor, lutando no presente. Acredito no Brasil e amo o Brasil. Acredito no amor. E na amizade. Acredito que tudo dá certo, enquanto dura. E que quando a gente é feliz sozinho, está pronto para deixar de ser sozinho. Aprendi a rir de mim mesma. Aprendi a chorar. Aprendi que minhas lágrimas limpam a minha alma e que meu sorriso abastece a mim mesma. Mesmo que ele incomode a algumas pessoas. Aprendi a ouvir mais aos outros. Deixei meu orgulho lá atrás. Tomo banho de sal grosso (de vez em quando) e tenho a mania de desligar o telefone e encerrar as mensagens de texto com "fica bem". Não sei porque. Sempre fiz isso. Tenho TPM. Sinto saudade da minha avó que morreu, todos os dias. E sinto saudade de um monte de gente que está viva, perto de mim e que não consigo conviver cotidianamente. Essa sou eu. Cheia de defeitos de fábrica. Mas imensamente feliz por seguir vivendo, seguir acreditando e seguir me descobrindo.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Dica de leitura
Participei de um programa de TV daqueles divertidos que não tratam apenas de política. Isso foi ontem, pela noite. Lá conheci uma mulher linda, daquelas que chamam a atenção pela tranquilidade e segurança. Lançava um livro. Chama-se Tatiana Druck. O livro é "Par e ímpar". Devorei em uma hora. Em plena madrugada. O livro roubou meu sono e me deu a alegria de ver uma nova escritora nascer em Porto Alegre.É uma novela poética sobre a separação. O lançamento será segunda: http://bit.ly/cHfldu
Para viver uma vida leve...
Não é preciso dormir 10 horas.
Não é preciso morar num mosteiro.
Não é preciso ter a família perfeita.
Não é preciso se esconder em banheiros.
Não é preciso achar graça de tudo.
Não é preciso muito dinheiro.
Para viver uma vida leve
Só é preciso ser inteiro.
Não é preciso morar num mosteiro.
Não é preciso ter a família perfeita.
Não é preciso se esconder em banheiros.
Não é preciso achar graça de tudo.
Não é preciso muito dinheiro.
Para viver uma vida leve
Só é preciso ser inteiro.
Twitterterapia
A vida me aproximou do debate sobre saúde mental. Na marra perdi preconceitos e opiniões fabricadas pela sociedade em que vivemos. Conheci de perto a realidade de centenas de pessoas que não dispõe de recursos para o tratamento de familiares queridos e que assistem a seus processos depressivos, de surtos maníacos ou psicóticos. Me interessei pelo tema, estudei um pouco. Descobri que, para além de características genéticas, aquilo que chamamos de "loucura" também é processo. E que com a rotina e os comportamentos do mundo em que vivemos esses processos são acelerados. Descobri que os padrões que construímos para a felicidade também são algozes de muitos cérebros. A sensação de impotência diante de um mundo que diz que temos que trabalhar vinte horas por dia para sermos felizes, que temos que ter um casamento "normal", que temos que ter sonhos fabricados em escala industrial (porque parece que todos temos que sonhar os mesmos sonhos)... as cobranças para sermos "normais" (e há normalidade nisso tudo?), tudo isso é estruturante para o aumento de pessoas com problemas de saúde mental. Sei que quando falo em "saúde mental" a imensa maioria das pessoas visualiza um louco, pirado, sem noção do mundo. Bah... Quanto engano. Quanto preconceito. Ter saúde mental é como ter saúde física. Não há um padrão.
Por isso passei a ser uma defensora das pessoas que encontram formas de tratar de suas cabeças. Defendo quem faz terapia para se entender e ao mundo ao seu redor. Defendo quem faz Yoga para conhecer melhor o corpo e a alma, defendo quem precisa se isolar do mundo, algumas horas por dia, para encontrar o equilíbrio. Diria Renato Russo, que conquistamos o equilíbrio quando cortejamos a insanidade.
Em síntese, percebi que as pessoas que jogam as coisas pra fora, que não guardam rancores, amores, invejas, tem menores chances de perder o equilíbrio. E, sobretudo (e isso é o que mais me importa) , essas pessoas tem mais chances de serem felizes.
Digo tudo isso porque ontem percebi que a tecnologia e as redes sociais, das quais sempre fui defensora, tem ajudado as pessoas a colocarem os seus monstros para fora. Os 140 caracteres, os blogs, os orkuts da vida, tem ajudado as pessoas a falarem o que pensam, expor seus amores, suas dores, seus rancores.
Talvez em alguns anos falemos de TWITTERterapia. E alguns espertos de plantão lancem livros de auto-ajuda entitulados: "Como curar sua depressão em 140 caracteres" ou "como resolver os problemas com sua família em um único post". Talvez. Enquanto isso, antes de tentarem enquadrar os desabafos do twitter e dos blogs em fórmulas para ganharem (mais) dinheiro, vamos aproveitar para soltar os nossos monstros.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
Dica de leitura

Ando ausente do blog mas tentando manter meu ritmo de leitura. Agora, aqui da Câmara, escrevo rapidinho sobre um livro bem bonito que descori numa das minhas livrarias preferidas em Porto Alegre, a Bamboletras (no Gion). Chama-se "A mulher que chora", do chinês Su Tong. É uma nova visão sobre uma tradicional lenda chinesa sobre a construção da grande muralha. Leve mas intenso. Uma linda história de amor.
Esses dias aconteceu algo muito legal. Recebi uma carta de um autor de uma obra que indiquei aqui. "O sentimento de culpa", vocês lembram? Adorei saber que ele icou feliz.
Assisti no cinema "Juventude", produção nacional, com grandes atores. Está em cartaz num espaço muito bacana que descori em Porto. É o NT Cultural, uma sala pequena para umas 50 pessoas (Marquês do Pombal, 1111). Conta a estória de três homens que se reecontram e descrevem os seus amores e ilusões da vida. O texto é a melhor parte.
Há mais tempo assisti "A fita branca". Nem lembro se comentei por aqui. O filme alemão é bem pesado. Tem uma fotografia que é campeã. Mas pesa na alma.
Querida amiga
Há alguns dias recebi um lindo email de uma pessoa que a vida me apresentou. Nos conhecemos militando, conversamos e a vida (sempre a vida...) nos aproximou. Fiquei muito reflexiva com o email dela que, embora seja de alguém que acredita muito na atuação política, está um tanto nostálgica.
Depois, cheguei a seguinte conclusão: muitas vezes querem nos fazer acreditar que só existem dois caminhos, minha amiga. O primeiro é o de ficarmos iguais aos que combatemos. Pessoas sem convicção, que não defendem transformações na sociedade. O segundo, é o de pensarmos que não termos forças para vencermos. Isso nos faz desistir. Esses dois caminhos levam a um único destino: a manuntenção dessa sociedade que queremos tanto ver mudada.
Sei que tu és como eu. Segues acreditando que existe outra alternativa. A de seguir tendo a convicção de que sim, é possível mudar. É possível lutar. E que só a luta muda a vida. A nossa vida e a sociedade.
"(...) Tava vindo trabalhar hoje de manhã e comecei a pensar de onde vem essa função de política, de querer ler e saber mais, de me ficar doida assistindo às entrevistas da globonews com os defensores da ditadura...
e lembrei... foi lá em 89, quando eu nem me entendia por gente ainda, com sete anos. a primeira imagem de qualquer coisa política que eu lembro na vida é um comício do lula, no calçadão de santa maria. o pai trabalhava no banco do brasil e ele era meu grande parceiro pra tudo. me levou. me colocou no ombro porque o espaço tava tomado de gente e eu queria ver o que estava acontecendo. toda vez que eu lembro daquela cena, lembro da música que me arrepia até hoje: "lula lá, brilha uma estrela...". eu bem tentei segurar a bandeira que o amigo do meu pai tinha levado. não tinha força. segurei o quanto pude.
depois disso, as coisas saltam pra 92. eu tinha 10 anos e achava a coisa mais fantástica ver aquela gente toda na rua. queria ser uma cara-pintada.
fiz 16 anos e logo fui fazer meu título de eleitor com uma colega e amigona minha. votei pela primeira vez e me senti bem, feliz.
e foi assim... votando e votando... elegemos o lula, reelegemos o lula... (...)
e lembrei... foi lá em 89, quando eu nem me entendia por gente ainda, com sete anos. a primeira imagem de qualquer coisa política que eu lembro na vida é um comício do lula, no calçadão de santa maria. o pai trabalhava no banco do brasil e ele era meu grande parceiro pra tudo. me levou. me colocou no ombro porque o espaço tava tomado de gente e eu queria ver o que estava acontecendo. toda vez que eu lembro daquela cena, lembro da música que me arrepia até hoje: "lula lá, brilha uma estrela...". eu bem tentei segurar a bandeira que o amigo do meu pai tinha levado. não tinha força. segurei o quanto pude.
depois disso, as coisas saltam pra 92. eu tinha 10 anos e achava a coisa mais fantástica ver aquela gente toda na rua. queria ser uma cara-pintada.
fiz 16 anos e logo fui fazer meu título de eleitor com uma colega e amigona minha. votei pela primeira vez e me senti bem, feliz.
e foi assim... votando e votando... elegemos o lula, reelegemos o lula... (...)
enfim, acordei num dia nostálgico, lembrando lá de 89... há quase 21 anos eu fui seduzida sem saber direito o que era esquerda, política, eleições... hoje eu torço pra ver uma campanha honesta e digna. que bom que o pcdob apoia a dilma. que bom se todas as alianças puderem ser construídas em todo país. (...)"
(trechos do email de uma querida amiga)
segunda-feira, 12 de abril de 2010
saudade
faz uns dias que não apareço aqui no blog. Corri demais essa semana e quando cheguei no Rio Grande peguei a estrada... Amanhã conto tudo para vocês. Beijo e boa semana!
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Ficha Limpa
A bancada do meu Partido, o PCdoB, é favorável ao Projeto de iniciativa popular chamado de "Ficha Limpa". É evidente que tomamos cuidado para melhorar o projeto, para garantir que todos tenham direito a defesa e que ninguém seja processado intencionalmente por um adversário, por exemplo. Também é evidente que não existe projeto perfeito e que depois de aprovado teremos que avaliar o quanto ele é bom. A partir do regimento da Câmara o projeto não foi votado hoje. Deve ser votado no dia 29 de abril. E precisamos de mais mobilização para garantir que ele seja votado.
Eu, entretanto, quero chamar a atenção para vocês de um aspecto. O projeto Ficha Limpa ajuda a moralizar a política? Sim. É evidente. Por isso somos favoráveis. Mas ele não corrige, de maneira mais decisiva, o sistema eleitoral brasileira. Nosso sistema, do jeito que é, com financiado privado de campanhas, com voto que não valoriza aos partidos, é o grande responsável pela quantidade de fichas sujas que temos no Congresso. Com esse projeto impedimos que eles voltem. Mas não impedimos que surjam. Por isso, em minha opinião, devemos vê-lo como um passo. A caminhada é bem maior. E eu acredito que essa mobilização de vocês, que mandaram centenas de emails, mensagens pelo twitter etc, deve continuar. Ficha limpa sim, reforma política também.
terça-feira, 6 de abril de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Soneto do amigo
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinicius de Moraes
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinicius de Moraes
Caso Eliseu
O Rio Grande tem vivido anos de suspense e fantasmas. Agora as folhas ganham nova tinta: o MP não aceita a versão de que o secretario foi vítima de um roubo de carro. Ouvi atentamente a Promotora. Ela estudou profundamente o caso, usa argumentos fortes e muito lineares. Quem é quem, quem fez o que e porquê.
A nossa urgência é que que as investigações sejam ágeis e consigam nos deixar sem fantasmas.
domingo, 4 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
O técnico

4o mil gritam, choram, cantam. Um grande círculo em que todos olham para o mesmo objeto: a bola. Ela hipnotiza, seduz. Mulher nenhuma tem esse poder. Num quadrado com poucos metros caminha, corre, bate os braços o solitário técnico. Fala com aqueles que correm atrás dela, a bola. Aconselha aqueles que fazem o que ele não faz: chutar a bola. Ele olha para o mesmo objeto que todos e decide por todos nós quais pés a tocarão. Solitário técnico. No meio da multidão que grita ele parece ser apenas mais um de nós. Mesmo que não seja.
Todos já nos sentimos assim: solitários num ambiente com milhares de pessoas.
-------------------------------------------------------------------------------------------------
Ontem, no jogo do Colorado, estava em um lugar em que via tudo, inclusive o nosso técnico Fossati. Eu nunca gosto de técnico que perde. Gostar mesmo eu gostava do Abel, que nos garantiu o Mundial. Mas observei o comportamento do Fossati e concluí que é solitário ser técnico.
Assinar:
Postagens (Atom)
