sábado, 19 de novembro de 2011

Corpo vivo

Capacidade imaginativa. Era assim que, desde pequena,  chamava seu estranho vício de imaginar. Imaginava aflições e felicidades nos passageiros do ônibus lotado enquanto se deslocava para a faculdade. Imaginava famílias ao redor de mesas também imaginadas quando via a decoração de apartamentos ao passar de carro. Mas o mais estranho acontecia com próprio corpo: imaginava a entrada dos alimentos, a reação do estômago com o arroz da vó, a sensação da bexiga com a água fresca, o movimento dos neurônios ao receber tanta informação. Tudo funcionando perfeitamente. Um dia foi pega de surpresa. Sentiu o coração apertar, como se o tivessem colocado na palma de uma das mãos e depois fechado. Ela, que imaginava tanto, jamais imaginou que aquilo pudesse acontecer.

3 comentários:

Nilton Silveira disse...

Parabéns pelo Blog e ela indicação no TopBlog 2011!!
Gostei do design, conteúdo e as postagens super interessantes!!
Visite: http://penseoamanha.blogspot.com/

Sucesso!!

Flavio Chiarini disse...

Eu me imaginava sendo preenchido pela comida... Se eu comesse pouco, não passaria dos pés... Tinha que tentar preencher o corpo todo! Só não imaginava que as células adiposas nunca vão embora, e muito menos que depois dos trinta o metabolismo é mais lento do que as 32 mastigadas da saciedade...

Cris Ely disse...

Que forte isso! Sempre imagino coisas e possibilidades, seja no ônibus, na fila do supermercado ou olhando aquilo que as janelas amplas permitem mostrar das decorações de casa. Aperto do coração eu nunca imaginei, só senti.