sábado, 26 de dezembro de 2009

O consultório

“Para, Maluela, o vô vai nos ver”. “Não vai não Fer, cala a boca, se a gente ficar atrás da cadeira ele nem vai saber que estivemos aqui.” Assim, passávamos as manhãs escondidos no consultório de dentista de meu avô. Ele obturando os dentes, os pacientes gemendo de dor e nós apenas nos concentrando para não sermos vistos. Recentemente, passados mais de vinte anos, perguntei a ele se alguma vez havia nos visto. Nenhuma. Talvez conseguíssemos mesmo ficar invisíveis.

6 comentários:

Anônimo disse...

Lembrei de minhas brincadeiras lá na casa da minha vó.
Só que meu pai sempre sabia que era eu fazendo estrepolias e me colocava de castigo. Aí é que eu fazia das minhas.
Ferrinho

Susi Queiroz disse...

Toda criança consegue ficar invisível, só que infelizmente essa é uma das coisas que deixamos pra trás quando ficamos adultos!!! Ter o "Dom da invisibilidade" nos dias de hoje seria... maravilhoso... muito bom demais... sem palavras!!! =)

Marcelo Guerra disse...

Daqui de Manaus, Amazonas, mando aquele abração e votos de muito sucesso! Chegando aqui no NORTE, será muito bem recebida. Abração e gostei do blog!!! emocionante!

www.twitter.com/marceloguerra1

Chica disse...

As crianças tem um jeitinho dec ficar invisíveise até os adultos, por vezes, fazem de conta não as ver.um beijo, feliz 2010,chica

Victor disse...

Talvez meu comentário seja inadequado, Deputada... mas confesso que descobri ontem meio que por acaso esse seu lado literário. Fui um de seus milhares de eleitores em 2006, mas acabei me envolvendo com caminhos tangentes mas não idênticos ao seu desde que participei do ME - embora neste momento não esteja tão diretamente envolvido com política quanto gostaria. De qualquer maneira, quero apenas registrar que sua prosa é de uma delicadeza e de uma sensibilidade que realmente me comovem, e que me farão voltar aqui mais vezes.

Um abraço.
Vítor Costa - professor de filosofia e ex-militante do ME de Santa Maria, RS.

Victor disse...

Talvez meu comentário seja inadequado, Deputada... mas confesso que descobri ontem meio que por acaso esse seu lado literário. Fui um de seus milhares de eleitores em 2006, mas acabei me envolvendo com caminhos tangentes mas não idênticos ao seu desde que participei do ME - embora neste momento não esteja tão diretamente envolvido com política quanto gostaria. De qualquer maneira, quero apenas registrar que sua prosa é de uma delicadeza e de uma sensibilidade que realmente me comovem, e que me farão voltar aqui mais vezes.

Um abraço.
Vítor Costa - professor de filosofia e ex-militante do ME de Santa Maria, RS.